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AntiCast#5282h 59min

Fala que Eu te Julgo

Por motivos de psicose política acompanhada de uma ressaca pós-debate, Ivan Mizanzuk simplesmente não se esforçou minimamente em chamar pessoas pra fazer AntiCast nesta segunda.

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Por motivos de psicose política acompanhada de uma ressaca pós-debate, Ivan Mizanzuk simplesmente não se esforçou minimamente em chamar pessoas pra fazer AntiCast nesta segunda. Então ele optou o caminho dos preguiçosos: abrir uma live e chamar qualquer um pra conversar com ele pelo TikTok ao vivo.

Vai funcionar? Não sabemos.
Pode dar ruim? É o que esperamos.

Mas é a última semana antes da eleição, então vamos torcer que a gente consiga falar sobre qualquer coisa – inclusive política.

Apresentação: Ivan Mizanzuk – https://www.instagram.com/mizanzuk/
TikTok do Ivan pra passar vergonha ao vivo – https://www.tiktok.com/@mizanzuk


Momentos-chave (tempos do podcast):
00:00 – Abertura e recados

07:30 – Ana – conhecendo as lives do TikTok

12:06 – Maicon – medicina e política no Paraguai

32:13 – Alexsandro – Black Mirror, design e inteligência artificial

50:25 – Bianca – memes de gatinhos, tarot e política no Paraná

1:12:10 – Alessandro – história do AntiCast e segundo turno

1:33:18 – Indiara – mobilização política, redes sociais e IA

2:06:04 – Juka – pós-graduação, universidade e divulgação científica

2:50:37 – Recados finais, quadrinhos e encerramento


Apoie o AntiCast e todas as produções de Ivan Mizanzuk em https://apoio.mizanzuk.com

Site oficial: https://anticast.com.br

Transcrição completaLer transcrição30.153 palavras · cerca de 2h 31min de leitura · 8 vozes
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Ivan

Começando mais um AntiCast. Eu sou Ivan Mizanzuk, esse é o AntiCast número 528, "Fala Que Eu Te Julgo". Qual que é a questão aqui? É o seguinte: eu, né, como boa parte do Brasil, eu tô, em psicose política, né? Todos estamos. E, estamos numa situação em que se você lembra que você precisa se alimentar e tomar banho, você já tá no lucro, né? Porque atualmente a gente só fica recebendo, mensagens do Janones gritando: "Acorda!" Né? "Vamo, tropa! Blá, blá, blá, blá, blá, blá". E daí eu tava viajando esse final de semana, porque eu fui lá pra Caxias, inclusive um beijo pro pessoal de Caxias do Sul.

É, uma delícia lá. É, e eu tava lá pra uma feira do livro, tava com meu querido amigo Chico Felitti, a gente fez lá uma mesa na feira do livro da cidade e foi muito divertido. Daí eu cheguei ontem, em Curitiba, o voo atrasou e etc. E daí eu, né, daí teve debate, e daí eu já fiquei [gemido] e daí eu hoje eu fui passando e eu percebi que nossa, né, é, hoje é dia de podcast, né? O que que eu faço? E daí eu disse assim: "Ah, até, sei lá, 15h, 16h eu penso alguma coisa", né? É, e daí o tempo foi passando e daí eu fui ficando, tipo, nossa, eu acho que eu não, né, eu acho que eu não vou ter nenhuma ideia.

E daí eu disse: "Ah, será que eu nem faço podcast hoje? Porque, né, poxa". Pô, é uma semana antes da eleição, acho que vale a pena, né? É, e daí então eu decidi abrir aqui, pra fazer esse esquema. E daí esse esquema de, transmitir ao vivo pelo TikTok e também, de conversar no YouTube, eu vi alguns, streamers americanos fazendo, porque podia fazer esse esquema daí de a galera pode entrar e daí a gente pode conversar ao vivo e trocar uma ideia, lá. Justo tá aí, quem vai fazer a pauta hoje serão os ouvintes, né? E pode entrar maluco, pode entrar gente boa, não sei, né?

Pode ser que eu me, me canse. Pode ser que seja só uma pessoa aqui que tenha uma incrível, ou que tenha ideias incríveis e eu queira ficar ouvindo e eu não vou fazer mais nada, né? Então, nesse ponto, não é possível que eu tô com 600 espectadores no TikTok. Não. Capaz, né? Mal… tá doi… loucura isso. Não. É, eu vou vim pro TikTok sempre assim então. Porra, no YouTube eu tô com 86? E no TikTok eu tô com quinhen… ah, quin… ah não, já caiu pra 500. É, então. É, e daí, enfim, né, daí a ideia, a questão é essa, tá? É, eu tô, eu abri aqui.

E essa ideia, inclusive do programa ser "Fala Que Eu Te Julgo", é, eu sempre quis fazer isso. Eu sempre quis ter esse programa chamado "Fala Que Eu Te Julgo", né? Porque vem daquela, daquele lance do "Fala Que Eu Te Escuto", né? Aquela, aqueles programa evangélico de madrugada e tal. É, e daí eu disse: "Porra, né, podia ter uma coisa bem escrota assim", tipo, né, que a pessoa vem aqui, conta uma história triste e eu só fico julgando a pessoa. Mas eu não vou fazer isso, porque eu não gosto de julgar as pessoas, né? Então você pode falar, pode falar à vontade, é, o que você quiser e eu não vou te julgar.

Aqui é um lugar seguro. Viu só que bacana? É, inclusive s… no You… no TikTok, quem tiver no TikTok, não precisa ficar, no, não precisa aparecer câmera nem nada, tá? Eu não sei se tem como desligar a câmera quando vem falar aqui. Mas enfim, tá? É, eu não vou aprender a mexer nesse negócio aqui agora, tá? Mas certeza que tem várias coisas pra fazer no TikTok que eu não vou fazer, tá? Então eu vou simplesmente Conversar com as pessoas. É, vamo dar aqueles recadinhos de sempre, né, por gentileza.

apoio.mizanzuk.com. Eu preciso da ajuda de vocês pra fazer PC Farias. Depois cês ficam reclamando que tipo: "Ah, demora muito pra lançar Projeto Humanos". Me dá dinheiro que sai rápido. Quer que saia bem rápido, inclusive? Faz um Pix ali de uns 500 mil, 600 mil. Não vou dizer que vai sair rapidinho, mas vai sair mais rápido do que, né, eu fazendo sozinho, né? É, e daí, então eu preciso do apoio de vocês. Agora falando sério, eu realmente preciso. É, e se vocês, não puderem, não estiverem a fim, mas sei lá. "Ah, Ivan, não tô a fim, mas eu tô a fim de fazer algum curso teu".

Tem também, né? Inclusive, na semana que vem, final de semana que vem, dia 31 de outubro, dia das bruxas, e dia primeiro de novembro, tem turma de storytelling. E temos também, pra novembro, eu vou abrir… na verdade, eu já abri esse curso, mas eu não divulguei ainda, mas vocês já podem entrar lá, é, no meu site mizanzuk.com, ir na seção de cursos. Já tem lá um curso de jornalismo investigativo, né? Então esse daí que daí vai ser quatro encontros terças à noite, tá? Então esse daí vai ser divertido também, tá? tá, chega, cansei de falar. Agora eu quero ouvir. Quem que, quem, como é que funciona?

Alguém pediu pra falar e daí eu tenho que, eu tenho que clicar em alguém aqui, é isso? Ou alguém, não sei. Então, eu assim ó, eu ouvi falar que alguém tinha que pedir pra… Ariana, ó aqui alguém me perguntando: "Dá tempo de se inscrever no curso de storytelling?" Dá, entra lá, mizanzuk.com, parte de cursos, é só entrar lá, tá? Se você tiver ouvindo isso aqui pelo seu, pelo podcast, pelo feed do podcast, vai ser essa zona aqui mesmo, tá? Assim, ah, tá chato, então para de ouvir. Semana que vem o programa volta ao normal ou não, né? [riso] É, tá, então como é que eu faço pra… acampamento de criadores, não sei, com vários convidados.

Se eu, se eu clicar aqui, o que que aparece? Convidar, histórico. convidar.

Ivan

Então, quem quiser falar com ele é só tocar no rostinho lateral aqui do TikTok, acho. Tenta fazer isso. Alguém tenta fazer isso? Alguém quer falar comigo, tenta fazer isso pra ver o que acontece, por gentileza. O que que é isso aqui? opa, aqui. Apareceu alguém. Quem é? Alô? [Ana: Oi, oi, tá me ouvindo?] Tô, Ana, tudo bem? [Ana: Tudo bom, Ivan.] Tudo ótimo. Da onde cê é, Ana? [Ana: Eu sou de São Paulo.] São Paulo, ok. E o que que cê tá fazendo de bom aí?

Ana

Eu acabei entrando na sua live sem querer. Eu fiquei chocada que você tá entrando no TikTok. [riso]

Ivan

Eu sou jovem, tá? Eu sou- [Ana: É, cê é muito jovem.] Eu sou gen Z.

Ana

Cara, eu teacom… nossa, eu te acompanho desde o seu podcast falando sobre a ditadura. E eu lembro que eu na minha escola, na época, eu ficava: "Gente, escutem ele, vocês vão entender sobre política do Brasil". E eu supernovinha. [Ivan: [riso]] Cara, que loucura falar com você aqui.

Ivan

Ai, que legal. Quantos anos cê tem? [Ana: Eu tenho 24.] 24. Então, se cê ouvia falar de ditadura, isso era no Projeto Humanos ou era no AntiCast? [Ana: Isso.] No Projeto Humanos? [Ana: Isso, era no Projeto Humanos.] Então, isso devia ser 2017, 16?

Ana

Por aí. 2016, foi quando eu comecei a ficar mais politizada, assim.

Ivan

Caraca, você tinha, tipo, 14, 15 anos, assim, tá? [Ana: Sim, sim.] Esses jovens ouvindo Projeto Humanos com 14, 15 anos, tá tudo errado.

Ana

[riso] E eu sou muito grata, cara, demais. Nossa, que lou… eu tô arrepiada de falar aqui com você.

Ivan

Ah, que isso? Que fofa. [riso] [Ana: Ai, meu Deus.] A gente nunca se viu ao vivo quando eu fui pra São Paulo? Tipo, autógrafo, nada assim?

Ana

Olha, eu acho que talvez já tinha, já tive a experiência de ver você em, acho que Comic Con da vida, talvez. E aí depois o meu irmão fez um curso com você, ele super elogia, não sei qual que ele fez, mas ele fez, que ele agora trabalha com direção de arte. [Ivan: Tá.] Enfim.

Ivan

Ah, que legal. Manda um beijo pra… qual que é o nome dele? [Ana: É Gabriel Mazaro.] Gabriel Mazaro. Beijo, Gabriel Mazaro. [Ana: [riso]] Espero que tenha sido útil pra sua vida o meu curso. [riso]

Ana

Ah, tenho certeza que foi, viu? De verdade, aqui em casa a gente é muito fã de você.

Ivan

Ô, obrigado, querida. E o que que eu posso te ajudar? O que que cê quer falar com a gente hoje? Fala que eu te julgo.

Ana

[riso] Cara, não, na verdade, eu en… como eu falei, eu entrei nessa live, aí eu vi que você tava comentando aí do pessoal entrar pra conversar com você. E aí eu falei: "Ai, vamo tentar ajudar aqui o pessoal, né?"

Ivan

Ah, então tá. da… então explica pro pessoal como é que faz pra entrar na live, assim.

Ana

Ah, então, quem quiser falar com o Ivan, é só entrar ali embaixo da onde vocês escrevem pra comentar e tem dois rostinhos ali embaixo e é só pedir pra entrar e conversar com ele. [Ivan: Ah, os dois rostinhos. Show.] É, tem dois rostinhos. Aí, enfim, tem outras modalidades aqui de fazer lives, mas essa é a mais tranquila.

Ivan

Tá, ok. Então, é, qual, qual que são as outras modalida… qual que é a não tranquila, só pra eu nunca fazer?

Ana

É que tem uma modalidade daquelas de batalha, não sei se vocês já chegaram a ver.

Ivan

É claro que não, né? Eu- [Ana: É. [riso]] Eu vou falar a verdade pra você. eu, na verdade, não sou tão jovem assim. [Ana: Ah, então, tá vendo?] Desculpe

Ana

É, então, mas é que tem essa outra modalidade de live que aí fica tanto você quanto quem tiver falando com você, com os, com as imagens bem grandes aqui. E aí tem como mandar presente, aí tem uns rolês de batalha com presentes, que é meio louco. [Ivan: Tá.] Mas eu não recomendo tanto, eu acho.

Ivan

Tá, ok. Por que que cê não recomenda?

Ana

Ah, porque vira uma bagunça e acho que o TikTok ele não entende como um engajamento legal. Ele vira aquela coisa mais de: "Gastem dinheiro, por favor", daqui.

Ivan

Mas eu go… eu gosto de dinheiro, né? Quem-

Ana

Eu também gosto de dinheiro, mas eu acho que não é a vibe. Não sei, mas vai de você.

Ivan

De boa. Tamo tranquilo então. Mas eu vou, vou fazer isso então, vou ficar só nessa. [Ana: Teste, teste.] Agradeço pelo seu tutorial aqui pra todos os-

Ana

Nada, que isso. Nossa, eu tô te ensinando algo, Ivan, que loucura. [riso]

Ivan

Só você que devia fazer o curso agora de como usar o TikTok, tá? Então- [Ana: Verdade, verdade, verdade.] [riso]

Ana

Vou, vou fazer um e você se inscreve, por favor. [riso]

Ivan

Por favor, precisarei. Vai ser importante pra mim, né? Que agora eu sou influencer, pelo jeito. [riso] [Ana: Chique, chique. Acho chique.] Tá. [Ana: Bom, Ivan.] Obrigado, querida. [Ana: Obrigado, viu?] Beijo. [Ana: Igualmente. Beijão, viu?] Tchau. [Ana: Tchau, tchau.] Ok. Tô aqui uma, um pro… o Maicon Morais. Eu não sei, será que eu devo falar o nome das pessoas? Vai que elas não, às vezes não querem, né? Tão, tão com vergonha. Então, agora já falei também. Aê, Maicon. [Maicon: Fala aí, Ivan.] Beleza? Tá me ouvindo? [Maicon: Alô, consegue me escutar bem?] Tô te escutando. Cê tá me escutando? Cê tá me escutando?

Maicon

Agora sim. Agora te escuto bem. [Ivan: Ok, ok, beleza então.] Perfeito. [Ivan: Porra, Maicon.] Parece um lar de, um lar de gente velha.

Ivan

Tá. Tu é, tu é médico?

Maicon

Não, cara, tô estudando medicina. Tô na diáspora brasileira que veio pro Paraguai pra estudar medicina com um valor mais próximo do que a classe trabalhadora pode pagar.

Ivan

Tá, justo. Ah, então você é daqueles que ficam atravessando a Ponte da Amizade todo dia ou cê decidiu morar no Paraguai direto? [Maicon: Não.] Não? [Maicon: Eu tô em Assunção.] Não, ok. Eu dei duas, dei duas opções. [Maicon: Tô longe do-da fronteira.] Dei duas opções. Eu quero falar não. Dei porra, né? Dei… cê tá, então cê tá em Assunção.

Maicon

Tô em Assunção. Não, não preciso atravessar a fronteira. Eu tô na capital, que eu vim com minha família pra cá, com minha esposa, junto com dois filhos. [Ivan: Caraca.] Então, aqui eu acho mais tranquilo, mais seguro, é do que a fronteira.

Ivan

Sim, a fronteira ali é punk.

Maicon

Aí eu fiquei louco pra entrar porque sou fã do seu trabalho, sou fã do seu trabalho de priscas eras. [Ivan: Ô!] Acompanho desde o Projeto Humanos, desde o AntiCast. E como a sua proposta hoje é falar das coisas que você julga, hoje eu me considero uma pessoa radicalizada. Às vezes um pouco Ivan Mizanzuk também como, como… falando como social-democrata, mas mais voltado pra radicalização graças ao seu amigo João Carvalho.

Ivan

É, porra. sabe o que é foda, né? É que as pessoas acham. Daí né, que falam assim: "Ah, volta o AntiCast". Porra, daí beleza, eu volto. Aí falam assim: "Agora traz o João". Daí eu digo: "Gente, cês querem o AntiCast ou quer o João?" São duas coisas diferentes. Saca?

Maicon

Não, o João já tá, já tá em muito lugar.

Ivan

Exata, é o que eu falo.

Maicon

Mas eu falo porque João tá em muito lugar. Tá no Hora Boa, tá nos cortes lá da Assim Diz o João, tá lá com a Tupá de vez em quando vendendo o curso dele. É o cara que eu aprendi a gostar como se fosse um amigo meu, como se eu conhecesse ele desde sempre. E assim como você também. [Ivan: Pô, desculpa.] Mas eu falei isso por que, cara? Eu sou uma pessoa que me radicalizei acompanhando o AntiCast, acompanhando e reflexionando sobre todas essas questões que vocês trazem, né? Mas o que eu trouxe pra me julgar que apesar de tudo isso, sou um cara com 40 anos.

Eu sou da cidade de Campos dos Goytacazes. [Ivan: Tá.] Estado do Rio de Janeiro. E sempre fui envolvido com política. Então, o que eu trouxe pra me julgar é que eu era da juventude do Anthony Garotinho. Eu fui presidente de juventude, já fui de todos os congressos, por exemplo, Congresso da UNE, Congresso da UBES, é, representando a grande desconhecida juventude garotista.

Ivan

Só, só por curiosidade, em que ano que foi isso? [Maicon: Cara, desde 2003. Desde 2003.] Desde 2… desde 2003? [Maicon: Exato.] Então-

Maicon

Até mais ou menos 2016, mais ou menos. Eu ta… era ali junto com a família, que é da minha cidade, né? Não só ele, mas a esposa, a Rosinha, aquela coisa toda. E olha, aí por isso que eu falo como foi importante conhecer vocês no AntiCast, o João e tantos outros comunicadores, é, do nosso lado hoje, né? É, o quanto isso me fez reflexionar e por vontade própria ter rompido com tudo isso. Foi um processo doloroso largar tudo aquilo que a gente acreditava, porque eu não era dos canalhas, não. Eu era aquele que acreditava, que romantizava a política mesmo. [Ivan: Uhum.] Que dentro de um contexto, e olha só que loucura.

É, eu sempre vi até o próprio Anthony Garotinho como cara de esquerda, que foi sempre o cara que criou programas sociais, né? Tinha o Cheque Cidadão, que foi antecessor, por exemplo, ao Bolsa Família. Ele tinha o programa das passagens a um real, programa de restaurante popular.

Ivan

Não, ele foi, ele foi do PCB.

Maicon

E isso sempre me identificou que era uma coisa que era-

Ivan

Ele foi do PCB e foi do PDT do Brizola, né? Na época do Brizola ainda, então...

Maicon

Sim, pô, ele fundou o PT em Campos. [Ivan: Uhum.] Em Campos, o PT foi fundado por ele. Ele foi secretário-geral do PT. É. E assim, hoje é uma pena ver como é que A mistura maluca de religião, populismo e sede de poder mesmo desvirtuou um cara que o tempo que andou com o Brizola, puta que pariu, era uma pessoa que tinha tudo pra fazer uma diferença, né. E eu era uma pessoa muito, é, agarrada a esse tempo que ele foi, né. Não percebi essas mudanças que foram acontecendo. E nossa mãe do céu, como foi difícil romper com isso [som de porta batendo], com esse romantismo que eu tinha.

[Ivan: Tá, e daí então-] E hoje eu tô aí. [Ivan: Então só, então assim-] Vivi uma vida toda de militância- [Ivan: Pois é. Tá.] Sem fazer porra nenhuma da minha vida.

Ivan

Então você seguiu [interrupção] Se eu entendi bem, então. Tu seguiu o Garotinho até 2016 e daí cê começou a ouvir o AntiCast e falou… ouviu o João e falou: "Vou ser comunista".

Maicon

Não, não, cara. Foi um processo… e eu te digo que essa minha radicalização é mais recente, é de um ano e meio pra cá, né, que eu vi que chegamos a um ponto que, de um point no return. A gente não tem mais pra onde voltar, porque o que a gente vive hoje é barbárie. É óbvio que a gente torce pro Lula ganhar, porque a opção contrária é, é uma opção de morte, de fato, pra toda a população. Todo o seu projeto maluco que o Flávio tem, né. Mas assim, a gente só tá trocando por mais um tempo, por mais um tempo. Eu tô bem desgostoso, de fato, de política partidária e outras coisas mesmo, né, mas não deixando de acreditar, não deixando aquele Maico adolescente romântico lá de 2003, é, se perder nesse caminho, né.

Ainda acreditar e fazer o que a gente pode dentro do que é possível, dentro da nossa realidade. Eu sei que, pô, no mundo ideal tem muita coisa, mas a gente cresce, tem família, tem tanta coisa que a gente precisa dar conta e a gente acaba vim… ainda assim vivendo num mundo que é capitalista e a gente precisa até conseguirmos essa virada, vivermos e nos adequarmos a ele, né.

Ivan

Sim, e assim também, né, tem que… acho que ter em mente que mesmo que o Lula seja eleito, é, não vai ser fácil, né? E bem isso, daqui quatro anos vai ser outro desespero total, porque sabe Deus como é que vai tá. Então, é [interrupção] eu… e ao mesmo tempo é aquela questão também que nem o João falou do-duas semanas atrás aqui no AntiCast. Pela primeira vez a gente tá tendo, assim, pessoas comunistas, declaradamente comunistas, que acreditam no comunismo agora como deputado federal, né, o Jones Manoel aí. [Maicon: Exato.] Né. [Maicon: Sim.] Então, você sente que você, como um jovem de quarenta anos, você sente que está havendo uma radicalização entre os jovens brasileiros?

[Maicon: Sim.] Você como um jovem- [Maicon: Eu tenho sentido isso.] Um jovem universitário, né, e tal. Como é que, como é que tá no teu ambiente aí?

Maicon

Cara, no meu ambiente aqui, é, no Paraguai eu acho que foi o país que teve a maior porcentagem de votos pro… em relação pro Flávio Bolsonaro. Acho que aqui foi noventa e tantos por cento. [Ivan: Caralho.] É, é um país que há setenta anos é dominada pela direita. Reversa entre direita e extrema direita aqui. E como foi propagada durante um bom tempo como Suíça brasileira, é, e tá, tá no inverso, no inverso disso, cara. O Paraguai é um país que tem, óbvio, suas qualidades. É, é um povo muito acolhedor, assim como o povo brasileiro, como todo latino-americano, mas é muito precarizado. A saúde daqui não é integral como é no Brasil, por exemplo.

A gente que já tem feito alguns estágios médicos, tem atendido a população, é de ficar arrepiado, é de chorar, porque, por exemplo, se você precisa fazer uma histerectomia, teve pedra no, na tua vesícula, você mesmo com doutor, tem que sair pra comprar o ducto, você tem que comprar a capa pra videolaparoscopia, você tem que comprar inclusive o fentanil pra você ser, por exemplo, sedado. Comprar luva esterilizada, todo medicamento necessário pro seu tratamento e os utensílios cirúrgicos, por exemplo, né. E aí quando a gente vê, por exemplo, agora pro futuro, o possível indicado pro Ministério da Saúde do Flávio Bolsonaro, por exemplo, que já abertamente fala que não vai investir mais nenhum real na rede, no SUS.

Muito pelo contrário, é precarizar e ampliar o atendimento da rede privada. É o que ele tem propagado. Eu não consigo ver o futuro diferente do que é hoje o presente aqui no Paraguai. A saúde, de fato, as pessoas, por exemplo, aqui no Paraguai tem uma loucura. Tem empresas, por exemplo, que são especializadas em conseguir pra você o cartão saúde pra você ir tratar em Foz do Iguaçu, tratar em Ponta Porã, você tratar no SUS brasileiro. Eles fazem o translado e documentação de paciente pra ser atendido no SUS no Brasil. [Ivan: Caralho.] É, assim, é, é coisa surreal.

Ivan

Tá. E assim, ô, vamo, vamo dizer assim, é, porque eu imagino que deve ter esquerda aí no Paraguai.

Maicon

Sim, tem um partido comunista aqui, inclusive eu procurei, fiz contato, né. Mas, é, ainda hoje no Paraguai é ilegal, né, montar um partido oficial comunista. São só dois partidos que têm aqui, que disputam, que é o Partido Colorado, que é o partido de extrema-direita, que é o atual presidente aqui, o Santiago Peña, e o Partido Liberal, que é o partido de direita. Então mais um social-democrata, né. Não chega a ser, é, uma esquerda, mas que é bem mais moderado do que esse partido do Santi Peña. [Ivan: Tá.] Aqui, por exemplo, recentemente foi aprovado no Senado, passou pela Câmara e pelo Senado, foi sancionado pelo Santiago Peña, uma lei que permite os Estados Unidos instalar base militar aqui, que é o acordo que eles já fecharam O presidente lá com o Marco Rubio.

E inclusive qualificou os militares paraguaios que vão se instalar aqui futuramente, beirando o Brasil, concedeu a eles imunidade diplomática, como se eles fossem parte de um consulado, ou seja, tá liber… isso gerou uma repercussão muito grande aqui. É, eles podem cometer crimes como assassinato, sequestro, qualquer outra coisa e não serão penalizados pelas leis aqui do Paraguai, não serão nem investigados por isso. E é lei, cara, pode pesquisar, cê pode correr atrás. Foi aprovado e assim, é, é uma das bizarrices que o Paraguai tem. Paraguai é um dos, um dos únicos três países do mundo que não reconhece a China como um país e se relaciona com Taiwan.

Foi um dos únicos três países-

Ivan

Como assim não reconhece a China como país?

Maicon

Não reconhece a China. A China pra eles… inclusive tá construindo agora uma embaixada enorme de Taiwan aqui. Enorme, enorme. Um terreno com duzentos mil metros quadrados. É, inclusive o se… o presidente recentemente ele deu declaração contra a China continental, não reconhecendo o poder da China.

Ivan

Tá, mas o atrito deles é so-é com Taiwan. Eles não reconhecem China continental, eles reconhecem a China.

Maicon

Não reconhece China. Ele reconhece Taiwan. Não chama Taiwan de Taiwan, chama Taiwan de China. [Ivan: Tá, entendi.] Então assim, é loucura, cara. É loucura. Na votação da ONU que teve pra receber a re… a comitiva da Palestina, por exemplo, os três países votaram contra. Estados Unidos, Israel e Paraguai. Os outros cento e noventa e cinco países votaram a favor. Então o quê? É um nível de subserviência que o Brasil, tomara que não, tomara que não, mas um Brasil que a gente enfren… entrar com o Flávio Bolsonaro, é um nível de subservi-subserviência que vamos ter, não tenha dúvida.

Ivan

Tá, mas e daí como é que funciona? É que assim, cara, as vezes que eu fui pro Paraguai, eu sempre fiquei muito impressionado com… tá certo que eu só fui ali pra Ponte da Amizade e tal, né. Então não, não conheço o país. Eu conheço ali onde compra celular, né? - [Maicon: Sim.] Mas eu fiquei muito impressionado com o nível de pobreza, assim, do- [Maicon: Sim.] No geral.

Maicon

É o nível de pobreza. elevadíssimo. Eles têm um índice de informalidade acima de oitenta e dois por cento, né, pelos índices daqui. É, apenas catorze por cento da população trabalha de maneira formalizada. Eles têm inclusive um salário mínimo, quando convertido pro real, fica acima dos dois mil e quinhentos reais, acho que tá por volta de dois mil e setecentos, alguma coisa. Porém, o custo de vida aqui é muito caro. As pessoas têm aquela lembrança que o Paraguai é um país barato por conta das compras, justamente em Fast Shop, as compras ali na fronteira, é, você consegue encontrar produtos, porque, de fato, aqui a carga tributária pra importação de produtos é praticamente zero.

É praticamente zero. É, eles pagam aqui o IVA, que é o Imposto de Valor Agregado, sobre a venda do produto depois de importado, que é de dez por cento. É, então por isso eles têm essa competitividade, mas não têm uma indústria nacional. É, a boa parte das terras agráveis aqui do Paraguai, por exemplo, são na região do Chaco, é, 85% das terras são de brasileiros. São de brasileiros. Plantam soja e gado, né, aqui. É, isso é uma parte bem desenvolvida, mas fora isso, o Paraguai não tem uma indústria. É extremamente dependente de importação, importa… não tem mão de obra qualificada e a população, principalmente a população, que é um país que se orgulha muito da sua língua, que fala não só o para… o castelhano, mas fala também o...

[Ivan: Guarani.] Guarani. E o guarani ele é falado aqui mesmo, não é só uma coisa, é um peduricalho, eles… tá bem dentro da língua, mas só que, por exemplo, a população indígena, de fato, é invisibilizada, não tem suporte, eles vivem ach… nas ruas, literalmente, é, pedindo dinheiro em semáforo. Quer ver outra doideira aqui no Paraguai? O corpo de bombeiros aqui é voluntário. [Ivan: Hum?] Não tem um sistema de corpo de bombeiros público. São pessoas comuns como você e eu, que se inscrevem no corpo de bombeiro local. Quando tem algum problema, um incêndio, alguma coisa, você é acionado. Aí cê pode sair do seu trabalho pra ajudar no combate a incêndio, essas coisas todas.

Aí não é raro você ver pelos semáforos aqui, pessoas que ficam, que não estão trabalhando, ficam disponíveis pro bombeiro o tempo todo, pedindo dinheiro no semáforo. [Ivan: Meu Deus!] Entendeu? É, cara, é doideira, é uma distopia.

Ivan

Não tem treinamento, não tem nada, assim, simplesmente é...

Maicon

Tem treinamento, tem treinamento, mas todos por corpo de voluntários. Não tem um funcionário público ou privado, não são funcionários, são… é o Corpo de Bombeiros Voluntários Paraguaios, CBVP.

Ivan

E polícia, como é que é?

Maicon

A polícia é unificada, é polícia nacional, né? Mas funciona como uma guarda municipal e tem alguns setores especializados, né. Tem o SENAD, que é a Secretaria Nacional de Combate às Drogas, tem o Divisão Antissequestro, aí são as polícias especializadas dentro desse corpo da Polícia Nacional. E cada cidade, elas têm suas polícias municipais pra trânsito, apenas pra trânsito, mas pra patrulhamento e, é, e ostensivo, é polícia nacional. E cara, é uma tradição aqui do Paraguai, se as pessoas acham que o Brasil é tomado de corrupção, não venham pro Paraguai, porque elas vão se surpreender. Vão saber como que a gente pode chegar ainda mais fundo. Porque aqui, aqui chama de estafa, né?

E eu, como brasileiro, e apesar de eu falar bem já o espanhol, já tô aqui há um tempo É, eles percebem, a gente não vai ter o acento que eles falam aqui, o sotaque não é igual. De guarani é bem difícil. Então assim, logo que eles percebem que você é estrangeiro, eles vão ter… tirar… dar um jeito de tirar algum dinheiro. É cem, duzentos mil guaranis. Já me pediram aqui uma estafa de um milhão e duzentos pra me liberar com a moto, mesmo eu estando com todos os documentos, mesmo estando paramentado com capacete. Aqui é obrigatório usar o colete verde por cima, com tudo certo, mas eles percebem que você é estrangeiro, e aí ou você paga ou eles levam sua moto.

Vão colocar em cima de um, de um, de um caminhão e vai. É doideira, cara, é um país muito hostil.

Ivan

Tá, então vamo lá, Maicon. Você acha, pra… que eu vou, eu quero, quero passar… chamar o próximo aqui já. E- [Maicon: Uhum. Perfeito.] Senão vira uma entrevista contigo, né? E vai se foder. [Maicon: [riso]] Mas, é, eu quero saber, você acredita que o Paraguai hoje é o futuro do Brasil, do jeito que as coisas estão indo? Ou calma, tem bast… tem, tem que destruir coisas demais pra chegar nesse ponto ainda?

Maicon

É, eu acredito que tem que destruir coisas demais, até porque o Brasil tem muitos dispositivos, principalmente freios e contrapesos, como gostam de falar, né. Porém, é, pros serviços públicos, principalmente ofertados pela, é, pelo governo, eu acho que a chance de precarização é real, de acontecer como é aqui, porque não é fácil desmobilizar o SUS, é só parar de financiar. [Ivan: Sim.] Né? E no quesito subserviência aos Estados Unidos, não duvido, porque isso depende de vontade política. E aí, se a gente coloca um cara que vai bater continência pra bandeira americana e vai falar: "Pode vim aqui, peguem nossas terras raras", eu não vejo por que ser um cenário diferente.

Mas é óbvio, a gente produz muito mais riqueza, a gente tem uma indústria que apesar de não ser tão grande, ainda é uma indústria forte dentro do que se propõe a fazer. É, temos uma indústria de serviços aqui também, que são muito mais desarrolhadas do que aí no Brasil, né. Então, a duras penas sobreviveremos com um pouco mais de dignidade do que nossos hermanos aqui paraguaios. Mas no contexto de políticas públicas e subserviência aos Estados Unidos, é, é um, dois palitos pra chegar nisso.

Ivan

Uhum. Sim. Ok então, Maicon. Muito obrigado por deixar todo mundo triste e desesperado, mas agradeço o carinho. [Maicon: Perfeito, obrigado eu.] E qualquer coisa, né, o caminho é a radicalização e estudar medicina no Paraguai. Vamo… a gente vai atrás de você.

Maicon

Não, cara, venham, venham. Não tenham preconceito, não, que o corpo humano é igual em todo lugar. [Ivan: Exato.] E aqui tem boas universidades, você vai aprender e vai sair daqui médico. Fica tranquilo.

Ivan

[riso] Perfeito, querido. Valeu. Tchau, tchau. [Maicon: Tamo junto. Tchau, tchau.] Tchau. Ok, então esse foi o Maicon, de, do Paraguai. Então vamos aqui a o próximo, chamei esse moço aqui, vamos ver se... Eu vou falar o nome de vocês, né? Vocês estão entrando com o nome de vocês. Então o Alexsandro, vamos ver. Alexsandro. [Alexsandro: Oi.] Oi, tudo bem?

Alexsandro

Eu não tenho discurso, não planejei palavras, eu nem tentei. [Ivan: Não precisa.] Eu só sabia que tinha que vir aqui, ficar de pé e queria que vocês me ouvissem. Que me ouvissem de verdade. [Ivan: Então-] Não apenas ficassem um cara ouvindo como fazem o tempo todo. [Ivan: Ótimo. Então-] Esse daí é o Black Mirror. [Ivan: Ah, porra.] É a frase lá que o-

Ivan

Verdade, verdade. Do Bing. Do Bing. [Alexsandro: É.] Tá certo. Caraca- [Alexsandro: Isso] ...não peguei a referência, mano.

Alexsandro

O ex-pedalo Robinho [trecho incerto]. [Ivan: É, porra, eu tava-] O ex-pedalo Robinho [trecho incerto].

Ivan

É, tá. Agora não pode, né? Ficar. Agora é feio falar essas coisas, né? [Alexsandro: É, agora não pode.] Infelizmente, o novo Robinho decidiu cometer crimes. Eu não posso fazer nada. Não, então. [Alexsandro: É, ainda mais.] Então, sério, querido.

Alexsandro

Eu como santista, lamento mais ainda.

Ivan

Ô, sinto muito. Você é de Santos?

Alexsandro

[riso] Não, não, sou, sou de São Paulo mesmo.

Ivan

Você é de São Paulo e torce pro Santos?

Alexsandro

Eu sou. Mas eu ouço vo… eu ouço você desde a época que falava de design. [Ivan: Caralho.] Que eu sou [riso] é. [Ivan: Tu é guerreiro.] Faz bastante tempo, é. [riso]

Ivan

Tu é guerreiro. Isso aí é- [Alexsandro: Eu sou designer também.] Pô, sinto muito. Ainda tá designer? [Alexsandro: É.] Ainda é?

Alexsandro

É, ainda sou. Ainda sou. Com cinquenta e um anos ainda.

Ivan

Oloco. Você tá com cinquenta e um anos? [Alexsandro: Cinquenta e um.] Pô, mas tua foto aí tá, tá um cara bonitão. Deixa eu ver aqui. [Alexsandro: Ô, valeu, mas é, é-] Deixa eu ver aqui. Deixa eu abrir. [Alexsandro: [riso]] Sim, não, cê não parece ter cinquenta anos.

Alexsandro

É, é o que falam mesmo.

Ivan

Ah, então. Quantos, quantos anos as pessoas te dão geralmente?

Alexsandro

Ah, é, tem gente… é, porque minha barba, nessa foto, a barba tava curta, então não tava dando pra ver que ela tá branca, né? [Ivan: Tá.] Mas normalmente as pessoas me dão, sei lá, uns trinta e cinco, quarenta.

Ivan

Tá maravilhoso, trinta e cinco é o novo vinte. [Alexsandro: [riso]] É, então. [Alexsandro: É.] Tá, tô vendo que, é, realmente cê-

Alexsandro

Eu tava lá na época do dossiê do Olavão.

Ivan

Dossiê do Olavão. Esse daí. Você já conhecia o Olavo de Carvalho ou a gente que fez esse pra… te deu o prazer de conhecer o-

Alexsandro

Então, é, eu conhecia porque, por causa do quem é Pirula, né?

Ivan

[riso] Pirula. Pirula, né?

Alexsandro

Que que é Pirula? Que isso é nome? [Ivan: Que isso é nome?] Isso é nome de gente? [Ivan: Isso é nome de gente?] É. [riso] É, então aí o psicodelia argumentativa, etc.

Ivan

Sim, caraca, porra. É porque assim, eu até falo isso no programa, né? Pra quem não sabe, né, então pra quem tá chegando aqui, caindo de paraquedas, é, foi em 2014, eu acho, que a gente fez aquele programa. [Alexsandro: É, acho que por isso.] Né, a gente já tava vendo- [Alexsandro: Mais ou menos] ...a ascensão assim da de- da extrema-direita e obviamente daí o Olavo de Carvalho era já uma figura que chamava a atenção, mas a galera não tava muito de olho ainda. E… mas ele já tinha escrito aquele livro que tava vendendo bem, que era o Tudo que Você Precisa Para Não Ser um Idiota, um negócio assim.

E- [Alexsandro: É.] E daí eu, e eu já conhecia o Olavo de Carvalho de outros carnavais, assim da época do Orkut ainda, né, que, é, muito antes de eu me politizar, já tinha uma galera que ficava zoando que tipo: "Cara, o Olavo de Carvalho é maluco" e tal. E daí quando eu vi que de repente a gente levando o Olavo de Carvalho a sério, eu disse: "Bah, não, não, não dá, né? Não dá." E daí quando eu… daí eu disse: "Ó, bom, já que a internet tá transformando qualquer um em, é, [riso] em autoridade, né, pelo menos deixa eu fazer… avisar um pouco o pessoal aqui sobre o Olavo de Carvalho." E daí o que que aconteceu, né?

A gente foi bombardeado de, ataques bolsonaristas. É, bo… não era bolsonarista, na época era olavista. [Alexsandro: É, é, é. [riso]] e daí o Olavo de Carvalho foi lá xingar a gente também, né? Tinha a sessão de comentários. E então foi… é uma grande honra que eu tenho, que o Olavo de Carvalho vai lá xingar a gente. Ele xinga daquele jeito dele, né? Passivo-agressivo. "Leiam meus livros e daí se… quando quiserem ter um debate lá." Eu já: "Caguei, não vou ler nada", né? Então eu que não vou ler essas coisas. Você tem coisa melhor pra fazer. Tá de sacanagem, porra. Então, mas a gente foi dos primeiros assim e daí eu não me lembro-

Alexsandro

Tinha que rebater ponto a ponto, né?

Ivan

É, debate um ponto ao ponto, exato. Daí eu não me lembro se já foi nessa época que daí os ouvintes do MDM entraram pra defender. Acho que foi, né? [Alexsandro: Foi, foi.] Foi.

Alexsandro

Porque tinha… porque tava hospe-tava hospedado no B9, né? [Ivan: Isso.] E aí tinha a área de comentários. [Ivan: Exato.] Aí os olavistas invadiram e o pessoal do MDM fizeram uma resistência pra sumir com os comentários deles. [Ivan: [riso] Eu amo tanto.] Mal sabia o que que ia dar tudo isso, né? [Ivan: Imagina.] Essa psicodelia toda aí.

Ivan

E eu acho que eu tenho, é, impresso até… impresso, não. Tenho o PDF guardado da-de todos os comentários lá, assim, porque eu disse: "Não, isso aqui a gente não pode perder, não, cara. Isso aqui é história". Tem que achar, tá em algum lugar, mas, é, mas acho que eu tenho. Que loucura, cara. [Alexsandro: É.] Então tá. E como é que cê tá aí com esse lance de IA? É, e sendo designer, tá dando pra sobreviver? Cê tá integrando? [Alexsandro: Ah, então.] Como é que cê tá?

Alexsandro

É, eu tô, eu tô na parte que é polêmica, né? Eu uso como ferramenta assim. [Ivan: Ih, pronto!] Como eu falei. [Ivan: Pronto.] É. [Ivan: Vai ter gente xingando.] Vão falar que eu sou vendido.

Ivan

Vai falar que tá, tá aí explorando mão de obra, não sei o quê. [Alexsandro: Isso.] Então tá bom, né? Então tá. Mas é- [Alexsandro: Vão, tô. Então-] Cê tá us-tá usando IA.

Alexsandro

Não, mas é isso. Eu tô… é, eu tô… eu uso como ferramenta, porque, é, aquele negócio, né, que falam que não vai ter jeito, vai fazer parte ou, ou vai roubar o emprego ou você usa. Aí acabei usando, né? [Ivan: Uhum.] Eu uso até que bem, assim pra coisas… não pra fazer, né, tipo copiar estilo, essas coisas, mas eu uso pra fazer trabalhos que eu faria, é, só que faço mais rápido. [Ivan: Sim.] É, tipo, tem uma foto, eu tenho que ampliar o cenário. Aí eu estico lá no Photoshop mesmo e ela… a foto já aumenta ali, alguma coisa que eu fa… devo, sei lá, um retoque que demoraria umas três horas, a IA me devolve já em menos de um minuto.

[Ivan: Uhum.] Né? Tipo, tem uma foto lá que tem uma arquibancada e eu preciso que ela fique maior no-na horizontal, né? [Ivan: Sim.] E aí eu ia ter que ficar desenhando cadeira por cadeira numa foto, aí eu acabo ampliando ali e ela me dá um trabalho com inclusive com luz, iluminação, sombra, coisa que eu faria, né? Já fiz, né, todos esses anos, mas acaba me entregando em minutos um trabalho que demoraria semanas, às vezes.

Ivan

Uhum. Sim. O, e eu mesmo assim, o, eu tenho feito alguns testes agora de que, né, eu quero lançar alguns… os próprios cortes aqui, tal, que a gente tem feito de live. É, cara, é, é, dá muito trampo fazer isso assim. E eu- [Alexsandro: Sim.] Né? Tipo eu tô tentando ter, é, né, apoiador suficiente pra fazer o PC Farias, né? [Alexsandro: É.] O dia que sobrar… que o PC Farias tivesse pagando, daí talvez eu consiga pegar um editor ou alguma coisa assim, mas por hora seria tudo na minha mão. Mas eu não tive dúvidas. [Alexsandro: Sim.] Eu cheguei lá no Claude e disse: "Fi, tá aqui ó, é, transcreve esse programa aqui", tá-ta.

Daí foi uns dois dias até setar bem assim. E daí é isso, eu termino a live, eu já falo: "Ó, tá aqui o programa. Já pega os arquivos e vai." Daí cara, é, é uma paz, assim, porque ele vai lá, ele transcreve, ele já es… ele pergunta: "Ó, quer… posso fazer desses aqui?" Daí eu digo: "Pode". Daí ele já faz tudo certinho. [Alexsandro: Aham.] Ele já faz os cortes, ele já puxa as imagens. Porra! É um ó- [Alexsandro: É um absurdo.] Um afu-chuchu. Então eu tô-

Alexsandro

Tirou… tá… cê tá tirando emprego duns editores, então? [Ivan: Não!] Eu vi a polêmica lá que cê tá- [Ivan: Eu quero pagar editor.] Eu sei. [riso]

Ivan

Eu preciso que vocês me deem dinheiro. Me deem dinheiro. [Alexsandro: É.] Eu dou dinheiro pro [Alexsandro: Sim] Né, assim, mas enfim, né? [Alexsandro: Sim.] É, tá, tá- [Alexsandro: É] ...tem coisas que, agor… assim, que corte, cara, corte é, é um negócio que ele é muito mecânico, assim, é um trabalho do cão e- [Alexsandro: É] ...e editor de corte tá aí, né? Tá… deve… tem gente, né? Então pronto. To- [Alexsandro: Uhum] To… enfim, falei, tô editando os cortes com IA. Ah, não gostei. [Alexsandro: [riso]] Não assiste os cortes. Pronto. [Alexsandro: [riso] Tá certo.] Então, desculpa. Tô ca… é, be… quem quiser me cancelar com IA, já vai ser o meu segundo cancelamento por IA do ano, cara.

Então descul… o Load tá chateado comigo, cara. Isso aí, eu… já que tamo aqui- [Alexsandro: É] ...né, sendo julgado, então vamos lá. [Alexsandro: Sim.] Sim, rolou aquela treta toda de IA, há algumas semanas, e daí- [Alexsandro: É, eu vi] ...eu tenho o meu site, né, lá o mizuki.com e ele tem lá um sisteminha que ele tenta… ele tá sempre rodando, assim, todo dia ele tá rodando pra ver o que tá saindo de… se saiu alguma matéria minha, alguma coisa minha. E daí apa… e também, e também no YouTube. E daí apareceu lá, daí eu- [Alexsandro: Uhum] ...tô vendo assim: "Ah, essa é a minha entrevista com o Beto Ribeiro, já vou colocar também no site", tralalá, que é legal.

Daí eu vejo lá, descendo a letra: polêmica de Ivan Mizanzuki. Daí eu falei: "Ah, não". [Alexsandro: [riso]] E nenhum motoboy de treta me mandou essa. Eu achei bonito isso, assim. [Alexsandro: Aham.] As pessoas foram muito simpáticas, né? Daí eu fui assistir. Daí assim, [riso] eu vou transformar isso aqui em corte pro Load assistir, já que eles transformaram lá em corte. [Alexsandro: [riso]] Isso aqui é pro Load assistir, tá bom? [Alexsandro: [riso]] Então daí assim- [Alexsandro: Aham] ...daí assim, primeiro, né, daí tô lá, daí fala assim: "Polêmica de Ivan Mizanzuki", que… ó, daí tá o Cauê M… o Cauê tá lendo, daí tem um cara lá que… você vê que o Cauê e o cara, ca… e eu não vou lembrar quem é o cara, desculpa.

Daí o cara tava tipo assim- [Alexsandro: Uhum] ...meio, a, eu não sei, tipo: "É, não sei, não sei, não sei". [Alexsandro: Uhum.] E daí o Load tá pistolado assim: "Ah, porra, toma no cu", assim, "vai, aê, porra, vai, vai"… [Alexsandro: [riso]] E Load, eu te amo, tá? Eu realmente gosto muito de você, tá? Assim, podia ter me mandado uma DM pra conversar? Podia, tá? [Alexsandro: [riso]] Assim, acho que queria trocar ideia com isso? Eu super troco, cara, de boa. [riso] Mas aí, daí ele, daí assim: "Porra, o cara vai lá, faz um vídeo dizendo que tá não sei o quê", daí fez um vídeo lá de bichinho de, eu não sei o nome, bichinho de crochê, chibi, baguri, blá, blá, blá, guri.

[Alexsandro: Sim.] E daí, daí eu: "Sim, tinha feito isso mesmo". Aí cê: "Ah, porra, paga um artista pra fazer". Daí, de novo, meu irmão, se eu pudesse, eu pagava. [riso] Só que, porra, não dá.

Alexsandro

É, eles têm lá, eles têm lá um artista foda lá, né, que faz o… a arte deles toda em estilo pixel lá. Realmente o trabalho é foda, mas não é todo mundo que consegue pagar, né?

Ivan

É, sim, e daí eu po… daí tem a galera que fala assim: "Não, pô, então procura aí os artistas que tão dispostos a fazer". Cara, tem uma galera que vai falar comigo e tals, todo mundo muito bacana, só que daí é aquele negócio, tipo, galera trampa, a galera tá fazendo não sei o quê. Eu não posso ficar dependendo de quando eles podem fazer alguma coisa, sabe? Porque acontece e daí… e eu entendo, sabe? É sensível, eu já falei daí que eu não tô nem usando mais IA generativa pra ficar gerando blá, blá, blá, assim, imagens e- [Alexsandro: Uhum] ...vídeos. O dia… se um dia isso aí ficar mais tranquilo, vai.

Quando eu preciso fazer alguma coisa, eu tento procurar modelos que são, que pelo menos assim, pagam alguma co… por exemplo, uma coisa é você gerar, quando eu preciso gerar som, né? Ou alguma questão de trilha- [Alexsandro: Uhum] ...pra ficar de fundo. [Alexsandro: Sim.] É, você… uma coisa é você fazer trilha- [Alexsandro: É que-] ...na Suno

Alexsandro

...essa música, essa música que fica tocando aí na… enquanto a gente tá na espera é de IA? Porque eu já vi gente xingando no chat lá.

Ivan

Que música? Não sei o que cê tá falando.

Alexsandro

Que fica antes de começar a live no YouTube. [Ivan: Não, que música?] Na radiozinha.

Ivan

Só abro… que rádio que cê tá falando?

Alexsandro

Tem uma abertura lá do AntiCast, fica uma rádio e aí entra o QR code pra apoiar.

Ivan

Cê tá mal… cê tá, cê tá me zoando, né? Não- [Alexsandro: Não, não tô zoando.] É só… não, gente, eu abro aqui o Time… daí tem lá a, o AntiCast já começa e daí eu entro. Não tem rádio nenhuma.

Alexsandro

Tem, tem sim. Cê nunca assistiu? [Ivan: Ah, cê tá-] Entra pra assistir, cê vai ver [Ivan: ...cê tá de sacanagem comigo.] Não, não tô de sacanagem, não. [Ivan: Tá de sacanagem.] Não. [Ivan: Não, para.] [riso]

Ivan

Cê só… cê tá maluco. Para, não tem não. [Alexsandro: Depois cê entra-] Ainda mais música de IA [Alexsandro: ...e fica gravado lá.] Ainda mais música de IA. Cês tão louco. Eu? Jamais. [Alexsandro: Tem.] Não tem ma… não tem, não tem nada. Não sei o que cê tá falando.

Alexsandro

Eu não sei se é a plataforma que cê usa que gera, não sei.

Ivan

Não sei. Não sei do… eu num, não tenho, eu só entro aqui, aperto iniciar transmissão e vai. [Alexsandro: Uhum.] É que assim, mas tem uma coisa, eu não sei mexer nisso aqui direito ainda. Eu tô começando com live agora. [Alexsandro: Aham.] Tá? Então, de repente, eu tô apertando alguma coisa errada aqui. É alguma coisa do OBS, talvez, que vem com o OBS? Pode ser isso? [Alexsandro: Pode ser, não sei.] É

Alexsandro

Tem, tem uma, tem uma rádio e fica tocando umas músicas.

Ivan

Que música? Como é que é essa música?

Alexsandro

Não sei, não sei. São músicas em português, mas parecem de IA. Inclusive, a galera no chat uma vez xingou.

Ivan

Não, se for música de IA, tem que xingar mesmo. Filho da puta. [Alexsandro: [riso]] Ah, eu não devo tá com vírus no computador, né? Não ia ser um vírus idiota assim.

Alexsandro

Não, não. Deve ser alguma coisa da plataforma que cê usa. [Ivan: Mas foi só hoje?] Não, sempre. [Ivan: Sempre?] Não, tá sempre. Todos o… desde quando… dessa retomada aí que eu assisti todos.

Ivan

Ah, cê tá de sacanagem comigo. [Alexsandro: E aí fica-] É que nem eu quando fico fazendo aqui. Eu vou admitir uma coisa, tá? De an… de tempos em tempos, eu faço uma sacanagem em redes sociais que é-

Alexsandro

Ó, tão falando aí no chat que é da plataforma mesmo

Ivan

Cê é maluco, né? Então tá. Então olha só. [Alexsandro: [riso]] Tô. De tempos em tempos eu lembro de uma sacanagem que eu gosto de fazer uma vez por ano, tá? Que, é, co… assim, uma vez por ano, mas não significa que eu faço todo ano, é quando eu lembro. Que é pegar… eu vou admitir aqui publicamente que é, é, é eu realmente faço isso, tá? É, é, é realmente sacanagem. É o único lugar que eu vou falar… admitir que é sacanagem, porque quando as pessoas vêm falar comigo eu fa… me faço de louco. Mas, é, eu posto uma foto de um bebê na janela e é uma foto preto e branca.

[riso] Aí eu digo: "Porra, entra ano, sai ano, tem gente que fica me sacaneando até hoje que vê um bebê nessa janela". E daí tem gente que saca, porque isso aí é um meme muito obscuro, é muito obscuro. E daí tem a galera que daí co… era legal fazer isso no Twitter, principalmente, né? E daí, é, e daí no Twitter a galera ficava assim, tipo, né: "Não, que mané, bebê". sé… não, fala assim: "Não, sério que tem bebê? Sério que tem gente falando que tem bebê? Cê tá maluco, cê tá maluco", não sei o quê. E daí, e daí a galera que realmente vê o bebê, porque realmente tem um bebê, né?

E daí a galera fica, daí ficam, ficam preocupados: "Gente, não é possível, cês não tão vendo o bebê". Então eu queria fazer um pacto com todo mundo que tá assistindo isso aqui ao vivo, tá? Eu vou postar no meu feed nos próximos dias, no feed do Instagram, eu vou postar a foto do bebê. E eu vou postar o texto da trollagem, que é: "Entra ano, sai ano, tem uns caras sacanagem comigo dizendo que vem um bebê aqui nessa janela". E quando só tem uma janela. Vou, vou, vou fazer um texto qualquer assim, tá? E daí você… eu conto com a ajuda de vocês pra deixar o pessoal do Instagram louco, tá?

Eu conto com vocês, tá? Eu tenho a sua- [Alexsandro: Boa] ...eu tenho o seu apoio, Alexandro?

Alexsandro

Tem, com certeza, vou tá lá. [Ivan: Maravilha. Então por-] Vou mandar um first e vou falar [riso] e vou falar: "Não tem bebê nenhum aí, a galera tá maluca".

Ivan

Tá maluca, isso. E é, e daí, cara, é im… é muito importante você levar isso a sério, porque vocês vão ficar com dó das pessoas. As pessoas começam a achar que tão loucas. E daí você não pode [riso] você não ceda, você fique se- [Alexsandro: Não] ...fique forte, fique forte, você vai conseguir. [Alexsandro: Isso aí. Isso aí.] [riso] Alexandro, cara, cê quer falar alguma última coisa antes de eu te expulsar?

Alexsandro

Não, não, tá beleza. É isso aí. Só… foi bom que deu uma levantadinha aí no clima, a gente esqueceu um pouco que a gente tá perto do conto de Aia. [Ivan: Não tem que pedir-] É isso aí.

Ivan

Não, lógico. Shhh. Né? Isso é problema da gente daqui a algumas horas. Agora, agora tamo aqui na nossa bolha, certo? [Alexsandro: É.] Valeu então, querido. Abração. [Alexsandro: Falou então.] Tchau, tchau. [Alexsandro: Abraço. Tchau.] Vamos ver agora, ó, vou, vou, vou chamar a Bianca agora. [Bianca: Oi, Ivan.] Oi, Bianca. Tudo bem? [Bianca: Tudo bem, querido, e você?] Tudo ótimo. [Bianca: Gostando do episódio AM?] Tô, tô, tô no céu. E vocês?

Bianca

[riso] Eu tô gostando bastante. Inclusive, eu vim abrir uma petição não solicitada sobre voltar com os episódios de memes de gatinhos, que são sempre os meus favoritos, e o AntiCast precisa deles.

Ivan

Mas a gente fez quantos desses? A gente fez um só?

Bianca

Eu acho que, eu acho que foram uns dois, pelo menos, e ficou na promessa de um terceiro e morreu na praia, porque o… enfim, daí a política tomou conta de tudo, né- [Ivan: Claro] ...e levou as nossas vidas junto.

Ivan

Então, está… ó, então já está combinado. Independente do resultado das eleições, semana que vem é memes de gatinhos. Tá feito.

Bianca

Precisamos de memes de gatinhos e memes lendários, como, como sai desse lago, gente, como que eu pude viver a minha vida sem saber disso até esse momento? Então assim, eu, ele precisa, o, a, o Brasil precisa de um novo meme de gatinhos.

Ivan

Perfeito. Mas quantos anos cê tem, Bianca?

Bianca

Eu tenho 32, eu fui sua aluna aqui na PUC do Paraná em Arquitetura. [Ivan: Mentira. Não, pera aí, você-] É

Ivan

...tu é Bian… tu não é a Bianca loira alta ou-

Bianca

Não, sou uma Bianca, uma Bianca morena e baixinha, na verdade. Bem o contrário.

Ivan

Não, é que a Bianca loira alta, ela, é, ela con… a gente conversava bastante, e daí eu, e daí eu não lembro. Pera aí, eu tô procurando você aqui agora. Pera aí um pouquinho. Vamo lá.

Bianca

Eu fiz um c… o curso de Psicogeografia, que bem pouca gente fez- [Ivan: Caralho] ...e eu amava fazer, sobre o antes do amanhecer. Nossa, que maravilha, que delícia de fazer.

Ivan

Sim, sim. Aquele, aquela matéria foi muito legal de Psicogeografia, que eu dei. Inclusive, na época eu fiz um, justamente um AntiCast também na época, sobre- [Bianca: Sim] ...sobre Psicogeografia. E eu fiz aquele AntiCast muito porque, tipo, caraca, eu preciso conversar com gente que entende isso, porque eu não tô me sentindo muito seguro pra dar aula, né? E daí-

Bianca

Nossa, eu amei, adorei cada segundo, foi muito gostoso de fazer.

Ivan

Ai, que legal. E, mas e aí, como é que cê tá nessa vida de arquiteta hoje em dia? Cê tá… cê se formou e… ou não se formou? O que que aconteceu?

Bianca

Cara, eu me formei, eu me formei e o último semestre eu fiz em casa, no… durante a pandemia. Foi um horror, foi uma, nossa senhora, uma… eu queria morrer. Tanto é que eu larguei a arquitetura durante dois anos. [Ivan: Tá.] Aí eu tava Só tenho essa conta do TikTok porque eu tinha uma loja de bolsas, que inclusive não sei mexer nisso aqui, não sei como entrei, mas-

Ivan

Ah, lembrei de você. Entrei aqui na tua fotinha e lembrei de você. Eu lembrei-

Bianca

E aí eu tinha essa loja de bolsa, mas-

Ivan

Você era uma aluna muito legal, você era uma aluna muito legal, cara, é verdade, porra!

Bianca

Ah, muito obrigada. E continuo sendo uma aluna legal, pois fiz o curso de storytelling com tarot também, e a minha vida já virou o negócio do tarot também, entendeu? [Ivan: Capaz, sério? Mentira.] Não, e inclusive estou, é, na denúncia aí do amigo Alexander, vale pra mim, porque eu estou usando IA pra fazer [riso] as minhas cartas de tarot, porque eu tenho preguiça de desenhar, tá? E assim, eu tenho preguiça, eu tenho. Então assim, sinto muito, desculpa acabar com a água do mundo, mas eu não tenho talento pra aquarela e tal, então... [riso]

Ivan

Pois é, né? É, né? Mas ó, cê já viu as comparações sobre questão de consumo de água e data centers?

Bianca

Não, não vi. Eu sei que não deveria tá sendo usado pra isso, né? Mas enfim. [riso] [Ivan: Assim-] Só isso também

Ivan

...é, é, é, é, é assim, já aí de novo, longe de mim defender big techs, etc, tá? Tá, então vamo lá. Mas primeiro, ó, o, só uma coisa, o Vez Novak [trecho incerto] perguntou se eu vou lançar algo novo. Vou, assim que eu tiver bastante apoiador pra financiar o PC Farias, que eu quero sair ano que vem, tá certo? Enquanto isso, cês vão ficar vendo essas porcaria aqui de eu falando. Não a Bianca, a Bianca é ótima, tá? A Bianca tá, tá- [Bianca: [riso]] ...tá abrilhantando aqui o programa. mas enfim, questão de água, por exemplo, coisa que gasta água pra cacete e desperdiça muita água, indústria da carne, disparado, assim.

[Bianca: Sim.] -

Bianca

É, com certeza. A da, a da, a indústria da carne, indústria têxtil também, a minha bo… a minha loja de bolsa, inclusive, faz de fio reciclado. Então assim, é, é, eu sou dessa pegada e por isso seria contra a IA. [Ivan: Sim.] Mas enfim, não temo… chegamos nesse ponto e é isso. E aí eu estou fazendo as minhas cartinhas nesse pique e estou gostando bastante. [riso]

Ivan

E daí, e também, daí agora que eu fa… vi era que um data center gasta o mesmo de água que uma piscina olímpica. É muita coisa? [Bianca: É.] É, piscina olímpica é mais importante do que data center? É. Só que assim também- [Bianca: É] ...é bom colocar em perspectivas, né? Tipo, gente, calma- [Bianca: Certo] ...também, não é, sabe… e eu assim, se me jogarem a parada, tô falando sério, eu não tô nem zoando. Se falarem assim: "Ó, seguinte, tu reduz, o teu consumo de carne, a gente tira uns- [Bianca: E o impacto é maior] ...é, tu reduz, assim, sei lá, em 30%, foda-se, 50% teu consumo de carne.

Reduz em 50% o redu… o teu, o teu consumo de carne, diminui a agro… o agro e daí a gente tenta compensar aí parte disso com data centers. Não vai nem precisar dos 50%, muito menos do que isso. [Bianca: Sim.] Topo. Topo. Ainda mais se for energia renovável e tal, tranquilo, tendo regulamentação- [Bianca: Sim] ...show de bola. Agora, se essas pessoas forem eleitas aí, né, querendo colo… transformar o Brasil no curral do mundo, né, e querendo fazer tudo que pode com a Amazônia e não sei o que e tal, daí vai ser um pouco mais complicado, né? Mas eu sou, né, é, eu pe… em Curitiba eu sou comunista, né?

Bianca

É, é, então, não, mas eu sou mais comunista e eu sou de Curitiba, então... [riso] Mas eu sempre gostei muito, inclusive dos outros podcasts que tinham os afiliados do… aquele que era de advogado, como que era o nome? É-

Ivan

O Salvo o Melhor Juízo, do Tiago Hansen

Bianca

...o Salvo o Melhor Juízo. Nossa- [Ivan: Do Tiago Hansen] ...maravilhoso. [Ivan: Inclusive eles deram uma voltada.] Adorava ouvir.

Ivan

Eles tavam fazendo alguns programas especiais com o pessoal da Plural, não sei se, se- [Bianca: É?] ...foi só um tempo. [Bianca: Se voltou.] O Tiago ele virou professor da Federal do Paraná, né? No curso de, dando a cadeira justamente de História do Direito. - [Bianca: Sim] ...e ele- [Bianca: Legal] ...e ele também, é, coordena lá um grupo de pesquisa muito legal de História do Direito do Paraná também, então qualquer dia-

Bianca

Que demais! Eu amei aquele sobre o julgamento das bruxas. Nossa, que gostoso de assistir um assunto que eu nunca teria acesso em nenhum lugar, entendeu? [Ivan: Aham, sim.] Assim, porque alguém com o conhecimento que ele tem, assim, maravilhoso. Adorava.

Ivan

É, esse episódio do julgamento das bruxas, é legal explicar pro pessoal. É, tinha esse pi… esse podcast, o Salvo o Melhor Juízo, do Tiago Hansen, e tem esse episódio que ele chama uma amiga dele, a Dani, se eu bem lembro, que tava fazendo ummm, é, doutorado sobre o julgamento de uma bruxa pela Inquisição aqui em Curitiba, salvo engano, no século XVI, eu acho que era isso. [Bianca: Não me lembro de datas.] E que ela, na verdade, assim, é uma bruxa, né? Você já pensa tipo: "Nossa, tá fazendo..." Não, ela era um, uma indígena, assim. [Bianca: Uma moça.] É, uma moça indígena que tava fazendo qualquer coisa.

E que daí vem essa questão que a… qual que é a função da Inquisição no Brasil, que a Inquisição portuguesa, ela é diferente da Inquisição espanhola. A Inquisição espanhola tava mais preocupada em combater heresias e tal, enquanto a portuguesa raramente fazia isso. Ela tava mais preocupada que os judeus que s… por exemplo, os recém-convertidos ao cristianismo, principalmente os judeus, se eles estive… se eles estavam, de fato, largando os costumes antigos e seguindo os novos. Então só isso, o fato de ter um julgamento de uma bruxa em Curitiba no século XVI pela Inquisição, já é pitoresco o suficiente, mas quando você ainda entende o contexto todo do que que é a Inquisição, portuguesa, é muito mais legal.

Baita programa, deve tá no ar ainda, quem quiser procura lá. Bela lembrança, Bianca-

Bianca

Nossa, muito bom Outra, outra recomendação que eu gostaria de reforçar, que foi do João no seu, no seu programa com ele, é de assistir a Batalha dos Destinos. É maravilhoso, é necessário. É o… nesses momentos em que você esquece que a, que a vida está rolando e apenas se diverte, apenas se diverte. Porque eu achei que ele ia ser um programa assim, zoando da cara dos videntes. Tipo: "Vamo testar se cês são vidente mesmo. Ah, seu trouxa!" E não é, é uma coisa séria, entendeu? Tipo, eles são, é, videntes profissionais, eles são treinados pra isso, alguns deles são contratados para fazer isso. Tipo os cara de saju [trecho incerto] lá que lê as parada.

Loucura, loucura e muito divertido, muito divertido. Todas as provas são maluquíssimas e maravilhosas.

Ivan

Então já me diz pra que… não, aliás, não me diz nada. Eu ia perguntar pra quem que eu vou ter que torcer, mas eu não quero que cê me fale nada. Eu vou… eu quero assistir.

Bianca

Não, não. Quem eu, quem eu torcia não ganhou e mesmo assim é, foi o destino, entendeu? É essa a parte boa. Ninguém ganha. Nós é que ganhamos por assistir aquele programa. [risos]

Ivan

to… é, todo. Aqui é todo mundo vai ganhar, né? Menos eles. [Bianca: É, todo mundo vai ganhar.] Diferente da profecia da [Bianca: Do meme. [risos]] Que todo mundo vai ganhar.

Bianca

No meme todo mundo vai perder. [risos] [Ivan: [risos] Maravilha.] Mas então, ó, viu? O mundo clama por memes de novamente, então.

Ivan

Tá, pode deixar. Semana que vem, em sua homenagem, eu vou [Bianca: Maravilha.] Ajeitar isso, tá? Independente do resultado da eleição. E se não tiver [Bianca: A gente vai ver.] E se ninguém tiver clima dos meus amigos, daqueles que se dizem meus amigos, eu faço aqui de novo. Chamo aqui de novo. Live ao vivo. Daí vai ser, é, fala que eu te [Bianca: Compartilha.] Fala que eu te julgo dois e a gente vai, é, a gente, a gente faz memes, não tem problema.

Bianca

Vai seguir. Eu gostei bastante, acho bem acessível você é uma celebridade [risos] descer ao nosso nível. Me obrigou a usar o TikTok? Me obrigou. Isso é baixo, entendeu? Assim, mas tudo bem. Então [risos] estarei aceitando, estarei descendo aqui também.

Ivan

Veja, Bianca, é, é, é, se, é, se você tá usando o TikTok e tá incomodada, cê imagina eu, né? [Bianca: Não, é.] Mas era a melhor plataforma pra fazer essa, é, é, é, esse chuncho aqui, né, de chamar a gente pra falar, enfim, então, né?

Bianca

Sim, não, eu concordo e estaremos aqui, né? Sempre apoiando aí o trabalho maravilhoso, Ivan. E agraciados com a sua companhia e seu conhecimento maravilhoso.

Ivan

Muito obrigado, Bianca. Cê quer fazer algum, algum último comentário pra ser julgada, alguma coisa assim ou não?

Bianca

Acho que não. Eu acho que eu tenho sido muito julgada aqui na nossa cidade, um desespero, porque o Moro é nosso governador agora. Então assim, apenas, é-

Ivan

Olha aí, ó, isso é um bom tópico pra falar no AntiCast, tá? Que eu quero dividir a minha opinião de merda com vocês, né? [Bianca: Tá.] A galera fica assim: "Porra, mas que merda, hein? O Moro virou governador." Aí depois… daí eu vou falar assim, minha resposta é: Gente, honestamente, eu tô sendo muito sincero, eu prefiro o Moro no Paraná do que em Brasília, tá?

Bianca

É, menos estrago. Só que o ruim é o futuro do Paraná, né? Porque quem que vai ser pior do que ele, entendeu? Aí qualquer um vai vim como salvador da pátria num cavalo e vai ser uma merda.

Ivan

Daí é assim, daí eu vou entrar em outra questão, Bianca. E uma vez eu tava falando com um amigo que também, de esquerda, tal, assim, aqui do Paraná, e ele falava assim: "Cê sabe qual que é o melhor emprego do mundo?" Daí: "Qual?" "Deputado estadual do Paraná." Daí: "Por quê?" Porque cara, ninguém se importa. E você sempre se reelege. Você fala qualquer merda, você tá sempre se reelegendo porque você conseguiu, né, então você deve ter alguma relevância pra algumas pessoas. E daí ninguém te acompanha, ninguém te cobra, ninguém faz nada. Você vai lá, você pode dormir durante a sessão inteira. E daí você tá ali sendo reeleito, aprovando qualquer coisa.

E o Paraná tem um lance que eu não sei o que é, mas que se assim, você olhar todo o histórico do Paraná, desde, sei lá, década de 80 até hoje, ele tem uma certa continuidade pra nós, meros cidadãos, que estamos olhando de fora. Se você pegar o governador mais à esquerda que teve aqui, que foi o Requião, né? Era um cara que assim, né? Quero lembrar.

Bianca

[risos] Ai, Paraná, por que Paraná?

Ivan

Quero lembrar, certo? Se você pegar isso, você vai ter, você vai ter assim, tipo, o que que o Requião fez assim, de fato, que porra, puta política de esquerda e tal. Não vai ser muito diferente do que, sei lá, o Beto Richa fez. Tirando que o Beto Richa deu porrada nos professores, né? Sim, mas isso é um detalhe, né? Não, quem, quem sou eu pra lembrar que o Beto Richa desceu o cacete em professor. Porque tem gente que não gosta que fala essas coisas. Um dia eu falei isso no Twitter pro Álvaro Dias e ele me bloqueou no Twitter. Eu fiquei chateado. Daí um dia eu encontrei ele no aeroporto e eu quase disse assim: "Ô, por que cê me bloqueou no Twitter?" Mas eu [Bianca: Desbloqueie.] Mas eu não ia fazer isso, né?

Mas assim. [Bianca: É.] Então, o meu ponto é que meio que não importa muito quem tá no governo do Paraná, porque é meio que a mesma turma, seis por meia dúzia.

Bianca

É, tá tudo organizado, né? Então.

Ivan

A não ser, e daí aqui a gente vai colocar um grande "a não ser" Que, é, assim, primeiro, o que que sempre sofre nesses governos é precarização pública, tá? Isso sempre, tá? É, do, de escolas e tal, que também daí é um problema nacional, é, é errado-

Bianca

Sim, mas a gente gosta de abrir a dianteira.

Ivan

Exato, exato. E mas mesmo assim, cê vai ter um governo, assim, no estado do Paraná, que comparado com o resto do Brasil é ok, né? Não é um desastre total, assim. Então eu não fico tão preocupado, porque eu acho que, né, que assim cara, pra mim o Moro tem cara mesmo, assim, é, é disso aí, cara, é, é, é governador, é prefei… ele no legislativo é a pior coisa, pior coisa. Ele tem que ficar tipo assim-

Bianca

Eu não acho que ele tenha muitos talentos, Ivan.

Ivan

É, ele tem que ser, sabe, prefeito de Pinhais, assim, eu acho que seria um bom cargo pro, pro, pro Moro, sabe? Ou, ou, ou Maringá. Ele é de Maringá. Eu amo Maringá. [Bianca: Então volta, volta pra lá.] Volta pra Maringá. Pô, o pessoal gosta do Moro em Maringá, vai lá ser prefeito em Maringá. Pô, eu ia amar ser prefeito em Maringá. Se me falarem amanhã assim: "Ivan, larga tudo pra ser prefeito em Maringá". Cara, Maringá pra mim é a melhor cidade do mundo. Eu tive que entrar, né, virei solteiro. [Bianca: Uma cidade que você tá-] Daí entrei, daí entrei nesses aplicativo aí de namoro, né?

Assim pra gente ficar triste. E daí, tem um lá que é-

Bianca

Ô Ivan, tô separada também, hein Ivan.

Ivan

Ó lá e, ah! [risos] Deus me… daí, daí já começa. Aí Bianca, daí é foda. [risos] Sinto muito pela sua separação também, mas daí quando- [Bianca: Não, eu fiquei muito feliz.] Ah, então ok. Não, a minha foi, foi complicada, mas hoje tá tudo bem, bem, todo mundo amigo, né, [balbucio]

Ivan

ela tá namorando, tô superfeliz, de verdade, assim ó, que bacana. Então, quando… daí tinha um, tem um desses aplicativos lá que acho que é o Inner Circle, e que daí era assim: cê tinha que escrever qual que era a tua cidade favorita. Juro por Deus, o pessoal escreve lá Barcelona, Nova York, eu escrevi Maringá. Maringá.

Bianca

Bom, e se entregou para uma possível, é, é, interessada com alguém que gosta da cidade de Maringá.

Ivan

Maringá, cara, pra mim é inacreditável aquela cidade. É, tem os mesmos problemas de Curitiba, 90% é fascista? 90% é fascista. Mas, sabe, pô, cidade bonita pra caralho, cara, assim, e tem uns macaquinho muito bonitinho assim no parque. É, eu realmente gosto muito de Maringá, cara. Então, fica a dica aí.

Bianca

O Ricardo Barros não é de lá? [Ivan: É de Maringá também, claro.] Meu Deus do céu.

Ivan

Claro que é de Maringá. Claro que é de Maringá. Imagina, imagina se não é, né? Cê- [Bianca: Zé.] aquela parte do norte do Paraná, assim, é, é uma coisa, saca? Então, é, é, é inacreditável o que rola por ali, assim. Mas, né, tamo, é- [Bianca: Tamo junto.] Tamo resistindo aqui, né? Assim, inclusive a manifestação aqui em Curitiba foi muito bonita. [Bianca: Foi bonito.] Cê tava lá?

Bianca

Eu não fui, porque eu tenho medo de multidões. Então, assim, a minha irmã, meus tios foram e gostaram- [Ivan: É complicado, né?] Mas eu fiquei torcendo-

Ivan

Se o Bol… Flávio Bolsonaro for eleito, a culpa é tua, porque tu não foi- [Bianca: Com certeza.] Na manifestação.

Bianca

Com certeza. Então eu sinto muito aí. Eu gostaria de deixar o meu último apelo, a, também, é, agradecendo pelo, pela temporada do Piloto, que eu adorei. Eu acho que também é muito bairrista isso, mas eu me senti em casa de novo com o caso Evandro, porque lá na, é, no norte eu fiquei assim: "Não entendo nada, não entendo quem são essas pessoas", enquanto que quando você fala daqui, eu sei. Ah, eu sei quem é o Requião, eu sei, entendeu? Eu vivi isso aí. Então o, a série do Piloto foi, foi muito surpreendente, eu adorei. Assim, é, é bem essas coisas que você fazia assim no podcast, tipo: "Não, nós somos sérios, estamos discutindo aqui" e na semana que vem largamos a mão e vamos fazer o que o coração mandar.

[Ivan: Exatamente. Não, super.] Gostei muito.

Ivan

Vou, vou… eu já aceitei que a minha militância, sabe, a minha militân… eu nunca me julguei militante, mas já que tô entrando, estou sendo colocado nesse meio também, né, inclusive meia-noite tem coisa do Felca, né? Tô, tô- [Bianca: Tem.] Tô curioso, hein? Estamos curiosos. mas, eu já que eu sou militante, eu decidi que eu vou ser o militante da zoeira, sabe? Eu vou tá aqui- [Bianca: Então-] Pô, vou discutir previdência, lá, e daí eu vou querer fazer memes de gatinho, eu vou querer falar sobre qual… a pior série de comédia que aparecer na Netflix. Eu não tô mais nem aí, né? Eu tô super, super de boa.

Bianca

Não, e Batalha dos Destinos. Lembre do Batalha dos Destinos, tá?

Ivan

Batalha dos Destinos. Eu vou fazer o Batalha dos Destinos aqui no TikTok agora, né? Eu vou chamar-

Bianca

Tá bom. Faz a leitura de farofa. [risos] E aí a gente vai acompanhar.

Ivan

Boa. Não, não, a gente faz assim, ó, a, eu sou o apresentador, daí tem dois… porque aqui no TikTok coloca vários convidados, né? Daí eu… vai ter dois médiuns e vai ter a quarta pessoa que é o convidado ali, que vai ter que… antes vai me passar as parada, e daí eu vou, vou falar: "Ó, cês aí vão fazer ao vivo", e daí a galera vai ter que ver ao vivo. Ia ser foda, hein? [Bianca: Pra saber.] Ia ser do caralho.

Bianca

Mas o Batalha dos Destinos é isso, Ivan. [Ivan: Eu sei.] Eu falei pra você. [Ivan: Eu sei o que é.] Tem que assistir. Tem que assistir. É muito bom, muito divertido. É, é, e é, e é isso que a gente precisa, né? Um pouco droga, um pouco salada, e aí a gente vai seguir.

Ivan

Exato. [risos] Bianca, muito obrigado, querida. Foi um prazer falar contigo, bom saber que cê tá bem.

Bianca

Eu também adorei falar com você e vou procurá-lo no Inner Circle. [Ivan: Tá bom.] Então procurando por pessoas que gostam de Maringá.

Ivan

Eu tô em tudo. Eu tô em tudo. Assim, em algum momento eu apareço por ali, tá? Então... [Bianca: Fala aí então.] Se eu respondo já é outra coisa, né? Porque, né, assim, as pessoas ficam muito chateadas que eu não… "pô, tu não gosta mais de mim que não manda mensagem". Eu digo: "Meu filho, tipo, eu não tô conseguindo nem lembrar de me alimentar direito, vou conseguir lembrar de responder todo mundo?" Então, vá. Então, enfim, né? Beijo, Bianca. Tchau. [Bianca: Beijo, tchau.] Então tá, vamos lá. Aqui. a Franciele aqui falou que foi ver eu e o Chico Felitti em Caxias e ficou 45 minutos presa na passeata dos biroliros.

Pô, foi um inferno isso, né? Mas a festa da democracia é isso aí, né? Eu e o Chico lá falando sobre crimes horríveis. E daí os bolsonaristas [imitação de buzina]. E eu falando assim: "ah, porque eu vou fazer o L mesmo, porra. É, todo mundo [imitação de buzina]". Assim, porque eu acho um absurdo o cara… a pessoa ficar falando de segurança pública, não sei o que, bá. E daí fez tudo… daí militei muito, mana. Foi, foi, foi muito foda, cara. Então, né? Ok, vamo lá. É, o Alessandro tá aqui há muito tempo. Vamo lá, Alessandro. Tua vez de brilhar, meu amigo.

Ivan

E aí, Alessandro? [Alessandro: Alô.] Opa. [Alessandro: E aí, fi, bom?] Tudo bom? Pô, cê tá um tempão aí, né, cara?

Alessandro

Tô esperando aqui, cara. Na verdade, eu esperei muito até pra tu voltar com o diabo desse podcast. [Ivan: [risos] Então-] Porra, velho.

Ivan

Então agora tua chance. Agora tua chance de cê falar o que cê quiser.

Alessandro

Cara, eu sou teu… eu sou teu ouvinte desde o comecinho do AntiCast. Eu passei por todas as polêmicas do AntiCast, na verdade.

Ivan

Todas? Qual que é a mais antiga que cê lembra?

Alessandro

É, cara, eu lembro assim, eu lembro do marcador de águas ali, que foi o dossiê do Olavão, né? Que foi o que deu o primeiro boom do AntiCast. [Ivan: Então.] Aí-

Ivan

É, de certa forma, sim. Por essa perspectiva, sim, de que foi um… uma polêmica grande.

Alessandro

Com o podcast sempre tem alguma coisa, não foi? [trecho incerto]

Ivan

Então, a primeira grande polêmica que a gente entrou foi em 2012 sobre, é, tabela de preços. Deixa eu ver se foi isso. Foi 2012 ou 2013. Pera lá.

Alessandro

Não, mas eu lembro que o que deu repercussão mesmo nas vezes que tu gan… que vocês ganharam muitos seguidores, foi ali com o do Olavão mesmo.

Ivan

foi. po… deixa eu ver só. Polêmica. [Alessandro: Foi.] Ai, cacete. Cara, é que assim, eu acho que- [Alessandro: Teve outras-] Nó… ó, abril de 2013. Su… meu Jesus amado. Abril de 2013. [Alessandro: É.] Eu e o An… eu e o Beccari fomos defender uma, um universitário que tava sendo malhado por designers, porque o cara fez um TCC- [Alessandro: Sim, sim] ...com uma, com uma, tabela de preços. E daí, de tipo quanto- [Alessandro: Eu lembro disso aí.] Daí, mano, malharam o menino. Hoje é um, hoje é um homem já, né? Sem… na época também, mas enfim. [risos] [Alessandro: Sim, sim.] E daí eu e o Beccari falou: "ah, vamo falar aí qualquer coisa".

E daí? E daí a gente piorou. [risos] A coisa ficou pior.

Alessandro

Eu, ó, pra… mas pra ter ideia, eu lembro disso aí. Aí teve na sequência o do Olavão. Eu lembro que teve aquela tua participação naquele grande podcast nerd- [Ivan: Qual era o nome?] ...que também rolou umas tretinha. [Ivan: Uhum. E daí-] Que teve a tua participação. Ainda teve outra coisa lá que foi uma… meio que uma guerra que o pessoal foi comentar no site deles e rolou uma treta medonha também.

Ivan

Não, o que rolou foi o que a gente fez o AntiCast 198, né, que era- [Alessandro: Uhum] ...o anti-machismo nerd. E daí a gente falava várias coisas sobre o Jovem Nerd e outros podcasts da época. E daí aquilo ali deu uma maior, uma maior chamada de atenção, vamo dizer assim. E… só que assim, dito isso, eu acho um pouco injusto. Não tô… você não falou isso, tá? Mas só pra deixar claro. [Alessandro: Sim, sim, sim.] Tinha uma galera na época que dizia assim: "ah, o Ivan tá fazendo isso só pro AntiCast crescer". E na real, o AntiCast já vinha de uma crescida considerável, - [Alessandro: Sim] ...desde 2014, porque em 2014 quando a gente começou a ficar mais politizado, e daí a gente cobriu eleição, a gente cobria debate, a gente- [Alessandro: Sim.] 2015 começou todo aquele papo de o Eduardo Cunha, né?

E daí a gente tava em cima dele o tempo inteiro. E assim, não tinha Jones Manoel, não tinha Ian Neves, né? Não tinha Humberto na Matrix. Então, eu… a gente ali tava-

Alessandro

Naquela época, naquela época tinha começado a ter os teus contatos com o João Carvalho, eu lembro. Aí teve aquele podcast dele, acho que foi um dos primeiros podcasts meio comunistas assim, que era o do Zamiliano. Acho que tu participou também. [Ivan: Era o, ai-] Revolushow.

Ivan

Revolushow, isso. É que eu tava com o Fala Zamiliano. [Alessandro: Revolushow.] Fala Zamiliano era os vídeos que o Zamiliano fazia. É.

Alessandro

Sim, sim. Aí também nessa pe… nessa pegada, eu lembro também que tu tava naquele podcast com o João, que teve aquela frase clássica do João. [Ivan: Uhum.] Que é o capitalismo falhou, falha e falhará. E eu achava muito bom que o João vivia te chamando de reformista safado de esquerda. [Ivan: [risos]] Adorava isso. [Ivan: Eu também.] Achava muito bom.

Ivan

Mas eu nunca neguei, né? Nunca neguei. Inclusive acho que-

Alessandro

Não, nunca negou. Sempre foi reformista safado. [Ivan: [risos]] Né? [Ivan: Sempre foi. nunca mais negarei.] E eu, e eu pa… eu pagava o patrão naquela época. Eu fazia parte da Cracolândia, que depois mudou de nome também.

Ivan

É, não, no Cracolândia não, não podia, era feio chamar assim. Então-

Alessandro

A gente mudou o nome depois, virou Cracóvia. [Ivan: Eu que mudei esse nome] Sim, eu lembro. [Ivan: Eu mudei também-] Primeiro pela Colônia, depois virou Cacau justamente por isso. [trecho incerto]

Ivan

Exatamente, né? Eu tava lá, rapaz, porra, como é que é isso? [Alessandro: Deu probleminha.] Né. Tá, e daí? O que que… feito tudo isso, estou aqui te recebendo. Agradeço por todo o tempo. [Alessandro: Show.] Agora é tua chance de você falar o que você sempre quis falar no AntiCast.

Alessandro

Cara, não sei. Eu… como eu tenho acompanhado muito política e eu tô muito nessa coisa do segundo turno, assim, o que eu posso falar primeiro, a gente tá perdendo a sabatina do bom velhinho Lula, que tá agora no SBT nesse momento, ele tá lá dando as caras. eu acho que dá pra ganhar ainda, acho que não é impossível, porque na eleição passada ele já fez uma coisa meio que impossível, que foi conseguir ganhar do presidente com a máquina, né? [Ivan: Uhum.] Então eu não me surpreenderia se o Lulinha da Sorte conseguisse fazer outra agora nessa eleição e ganhar num cenário historicamente impossível, sabe? É, eu acho que tamos aí, cara.

Ivan

Eu acredito também. É, o que me dá muito medo são essas, … eu tenho sempre a impressão, porque eu sou um pessimista nato, eu tenho sempre a impressão que as pesquisas, elas sempre erram dois pontos pra cima de um lado e dois pontos pra baixo do outro. E no caso, pra baixo é sempre a gente, né? É- [Alessandro: Sim.] Então eu tô com muito medo que quando sai essas pesquisas assim, tipo: "Ah, o Lula saiu da Vox Brasil ali, né? Daí tava Lula cinquenta e um, Flávio quarenta." Então eu digo: "Cara, deve ser, deve ser Lula quarenta e sete, Flávio cinquenta e três".

Alessandro

Ô, Ivan, é porque tem um fator que ficou muito evidente na eleição passada das pesquisas, é a questão do voto envergonhado. Porque na pes… na, nas pesquisas da eleição de 2018, as… várias pesquisas davam, se eu não, se eu não me engano, o Lula meio que ganhando e o Bolsonaro atrás na eleição passada. E no dia da eleição, foi aquela coisa que o Bolsonaro chegou muito perto do Lula no primeiro turno. [Ivan: Uhum.] E a galera: "Pelo amor de Deus, de onde é que veio esse voto?" Aí os analistas chegaram à conclusão: "Não, existe um voto envergonhado aí". [Ivan: Uhum.] O que aconteceu agora nessa eleição que a gente viu é que, tipo, pa… assim, o sentimento que eu via na internet e na vida real, vamos dizer assim, é que parecia que não tava havendo eleição.

[Ivan: É.] Parece que a eleição começou agora no segundo turno. A gente tá vendo movimentação, gente na rua, pessoal fazendo debate, que não teve debate. [Ivan: Uhum.] E tudo mais. E também teve o efeito Janones aí.

Ivan

Eu tava super em clima de já ganhou. Não, eu não vou nem me preocupar com a eleição esse ano, porque já ganhou. Imagine, o Lula tá ali.

Alessandro

Eu sigo, eu si… eu gosto muito de dar… de ver as análises de dois, que é o pessoal do Foro de Teresina. [Ivan: Uhum.] Eles têm um, eles têm um… e também o pessoal do Toledo e a Thais Bilénque, que é do, da UOL. [Ivan: Da UOL.] Eles fazem sa… é muito boa as análises deles. E eles meio que já tavam cantando a pedra que ia ser muito apertado, que a gente poderia ir pro segundo turno, só que no geral o pessoal não tava chutando que, tipo, o Flávio ia sair na frente. O pessoal achava que ia ser apertado, mas com o Lula na frente.

Ivan

Uhum. Era o que eu achava.

Alessandro

Porque ele tava um pouquinho vacinado.

Ivan

Uhum. É. E rolou muito a questão do voto útil no primeiro turno já, né? Isso teve também. [Alessandro: É.] Né? Mas...

Alessandro

É tanto que o Renan, é tanto que o Renan Santos ficou chorando em público meio que com os eleitores deles que deixaram pra votar nele pra votar no Flávio. [Ivan: Sim.] Ele tava ressentidaço com isso aí. [Ivan: Isso.] Mas, cara, mas é isso. Eu tô, eu tô muito fissurado na eleição, cara. Sempre fico.

Ivan

Não, e assim, eu fico também. Eu tô em total modo de psicose, mas eu estou tentando me controlar pra… porque eu sempre falo isso pras pessoas: gente, o caso Evandro Altamira, Leandro Bossi não me estressaram e não me deixaram doente igual cobrir, é, política, sabe? a… fazer o AntiCast ali em 2020, quando eu ainda tava fazendo, é, foi muito desgastante. Foi muito desgastante. [Alessandro: Imagino, cara.] Então, assim, eu acho que essa galera que continua até hoje, tipo, eu admiro muito essa galera do… todo o Foro de Teresina, inclusive o pessoal que era do Foro e saiu, que cê acabou de citar, o Toledo e a Thais.

É, o Leandro Demori. Eu acho que esse pessoal é, é monstro, é monstro, sabe? Eu não sei como que eles têm psicológico pra fazer essas coisas, né? É-

Alessandro

Cara, o Toledo acompanha política desde a década de 80, né? Então se retira daí, o cara tem bagagem.

Ivan

Sim, mas de qualquer maneira, ele, né, é, é muito [som de boca com o punho] eu não, não tenho, não tenho saco. Porque daí- [Alessandro: Tá faltando pau.] Só que daí é uma coisa minha também, né, da minha personalidade. [Alessandro: Aham.] Eu acho que esse também é uma questão que, me diferencia pro lado ruim, que é eu não sou jornalista de formação, né, já todo mundo aqui sabe. É, então quando eu comecei a ser considerado jornalista, é, eu sempre falo pras pessoas: "Gente, eu nunca pisei numa redação", eu não teria psicológico pra trabalhar numa redação Porque tá toda hora acompanando o que tá acontecendo e ter que ficar checando fato e não sei o quê, tá naquela correria, ainda mais hoje na internet, assim pra mim é desesperador.

E trabalhar com jornalismo investigativo pra mim é muito mais prazeroso, porque eu tô, eu tô num ambiente controlado, do tipo eu tenho isso aqui, eu tenho que tentar descobrir isso aqui. É, então ir além disso me deixa, é, desesperado. Então assim, chegar uma bomba na minha frente assim que tipo te vira, eu vou ficar: "Socorro, para com isso!" E assim, cinco minutos tu tem que apurar pra já botar, pra que a gente tenha que dar esse furo antes que outra pessoa dê. Eu dizer: "Ah, não, não, não, eu me demito, né? Eu vou, eu vou, vou, vou fazer outra coisa."

Alessandro

E como é que tu lida um pouco assim com essa questão da velocidade das coisas, com o público mais jovem, que é tudo tem que ser muito acelerado? Porque uma parada dessa de investigação que tu faz demora, né? [Ivan: Demora, sim.] Sei.

Ivan

Mas, é, mas daí eu gosto, assim, no… como eu dizia no de castigamente, nos meus sonhos mais molhados, [riso] eu falar… eu faria- [Alessandro: [riso]] ...uma vez por ano eu lançava um projeto humanos, tá? - [Alessandro: Entendi] ...e daí era tipo assim, sabe quando tipo Netflix lança um puta filme final do ano, todo final de ano? Era isso que eu queria fazer, sabe? Eu faria uma grande história por ano e eu lançava, e daí durante o ano eu ia já indo preparando pra próxima e assim vai. esse era o meu sonho de vida. É, mas, né, se você é produtor de conteúdo na internet, se você não tá produzindo toda semana, não dá pra viver nesse luxo.

Quando eu tava na Globo até dava- [Alessandro: É] ...até dava pra fazer isso, mas hoje em dia não dá.

Alessandro

Cara, tu pode fazer sabe o quê? Tu pode fazer que nem o Jones vira deputado aí, ganha a verba e- [Ivan: Ah, é isso mesmo] ...e escroto, cara. [Ivan: É isso que eu quero.] Vira deputado, aí. [Ivan: Virar deputado.] [riso]

Ivan

Pra tá bri… [riso] eu fico, eu fico nervoso só de pensar em apurar uma matéria. Você imagina ficar batendo cabeça ali com os cara. Não, não, não, não, não, não, tô, tô, tô, tô ó.

Alessandro

Tu só tem que ir lá pra, pro, pra Assembleia lá discutir com o Nicolas de vez em quando. Ficou besta. [Ivan: De boa, né? Deixa, vamo.] [riso] [Ivan: Sabe o que é pior?] Os cara eu vou… oi.

Ivan

O pior é que assim, eu sou um cara tanto… cês acham que o Lula é paz e amor, conciliação? Eu sou tão da conciliação, que eu juro por Deus que eu ia tratar o Nicolas super bem, sabe? Eu não ia enfrentar. Eu ia pelo contrário, ia tentar justamente ser o cara que tenta costurar e tal, por mais que eu sou completamente avesso tudo que ele fala, mas é o meu estilo. O meu estilo é esse.

Alessandro

Ia passar as reformas, né? [riso]

Ivan

Então, não, cara, eu não, eu não sirvo pra isso, cara. Eu super não sirvo, porque eu preciso ser o cara-

Alessandro

Eu também não, não recomendo, não.

Ivan

Eu sou super da mediação, assim, eu não, não ia conseguir, cara. É, obrigado, então, né? A hora que eu tenho que enfrentar alguém eu fico nervoso pra cacete. É, é difícil, né? Enfim. [riso]

Alessandro

Cara, a única vez… eu sou assim também, cara. A única vez que eu briguei na minha vida eu levei um murro no olho, cheguei com uma cara inchada em casa. [Ivan: [riso]] Eu sou, eu sou da paz, na-é, né, não é nem por opção, é porque eu sei que se eu entrar numa briga eu apanho.

Ivan

Aham. É, exatamente. Então, é, eu também, eu vou apanhar. Então, eu não quero apanhar, então deixa pra lá, né? [riso]

Alessandro

Ah, na boa. Cara, eu vou, eu vou, eu vou… não vou esticar muito até pra dar chance pra outras pessoas, mas eu tenho duas coisas pra falar. [Ivan: Por favor.] É, tenta arrastar o Ankara pelo podcast, assim, que eu tenho muita saudade dele, eu gosto muito do Ankara. [Ivan: Pode deixar.] E tenta ver aqueles podcast ficção científica, cara, com o Fernandes, cara, eu adorava aquilo ali, cara.

Ivan

Tá, o, com o Fábio Fernandes? Tá.

Alessandro

É, ele tá vi… ele tá vivo ainda. [Ivan: Tá, tá.] Quer saber?

Ivan

Eu acompanho ele pelo Tu… pelo Instagram, assim, né? Tá escreven… porque eu tava escrevendo pra cacete esses tempos aí, então, vou tentar, vamo tentar fazer alguma coisa aí. Agora voltamo?

Alessandro

Cara, eu lembro duma coisa que o Ankara fazia no grupo do Facebook lá dos, do, da galera do Patreon, que ele inventou o idioma da Cracóvia. [Ivan: Ah.] Que era escrever tudo junto, sem espaço. [Ivan: Cracolês.] Eu ria horrores. É, o Cracolês. Eu ria absurdamente desta besteira, porque esse cara era idiota ao ponto que… e ficava todo mundo naquela vibe horas. Eu acho que o cara era muito bom, cara. Saudades do Ankara.

Ivan

Era bom, era bom. Era bom mesmo, cara. Porra, boa lembrança. Tinha esquecido do Cracolês. [riso]

Alessandro

Ah, o outro né, o Augusto falou aí: "Saudade da Cracóvia."

Ivan

Mas gente, montem a Cracóvia aí, porra. Tipo, é só, é literalmente vocês se juntarem.

Alessandro

Mas porque ninguém usa Facebook mais, cara, tá na terra sem, sem uso.

Ivan

Tá, é o seguinte, eu vou fazer o seguinte então, tá? Eu vou montar um fórum lá dentro do meu, do site de apoio, tá? Cês acham que serve? Ou não? [Alessandro: Acho que...] Acho que não vai, não é a mesma coisa.

Alessandro

Acho que é um começo, talvez, não? [Ivan: Bom de fórum, né?] É porque tem que ver quais as ferramentas que os jovens tão usando hoje em dia também, né? Eu sou, eu sou velho.

Ivan

Ah, daí, então assim, as ferramentas que os jovens tão usando, os jovens usam, assim, então foda-se. Agora, que assim, que é, que é, se depender de mim, tá? Eu monto lá na plataforma de apoio um fórum em que vocês se matem. Só que daí eu já vou combinar agora. Eu não quero me meter em treta que vocês têm lá, porque olha, o, a dor no estômago que me dava quando eu recebia DM de alguém falando: "Ô, tem alguém lá no, na Cracóvia que tá sendo escroto." Daí eu dizia assim: Foda-se, cara, eu te-

Alessandro

Mas, ô, ô Ivan, por que que tu acha que o pessoal do MDM não fecharam a área de comentário à altura do campeonato? [Ivan: Pois é.] Que que tu acha que aconteceu?

Ivan

Pois é. Exatamente. Então, né, vocês que, né, ali vai ser, eu sou de esquerda e tal, mas ali é Ancap, mano. Vocês que se virem. Assim, eu não tenho nada a ver com aquilo, tá? Então, [riso] inclusive vou botar um termo de consentimento pra assinar antes de entrar. [riso]

Alessandro

O primeiro que chegar vira ditador, cara, pronto.

Ivan

Aham. [riso] Exatamente. Mas eu vou tentar fazer isso, gente. Vou até anotar aqui. Vou anotar aqui pra fazer a parada. Então, fórum, fórum de badernista. Pronto. Vai ser a Cracóvia 2.0.

Alessandro

Ixe, esse badernista já abre uma porta dos inferno aí.

Ivan

Aham, isso aí. Daí vocês se matam, tá? Quem… pra vocês que não têm ideia do que a gente tá falando, o que é a Cracóvia, só quem viveu, só quem viveu, sabe? aquilo ali era incrível. [Alessandro: É.] Né? Só que daí assim, né, uma coisa é incrível você como participante. Outra coisa é você como, né, como a pessoa que o pessoal chama você, tipo: "Oh paiê, né, fulano tá fazendo tal coisa". [grunhido] Então, mas tem… mas assim, tinha… eu lembro que tinha… eu não fazia nada disso, né? Mas assim, tinha a sessão do nude da madrugada. E daí era… eu dizia assim: "Não é possível que as pessoas tão fazendo isso".

Literalmente alguém abria um tópico e começava a postar nude. E daí outras pessoas começavam a tocar. Pá, pá, pá, pá, pá, pá. Daí eu disse: "Que isso?" Daí todo mundo postando pelado. E daí daqui a pouco dava, sei lá, quatro da manhã, apagava tudo. A sensação de-

Alessandro

Cara, eu te juro, eu te juro, eu te juro que eu não peguei essa parte aí não, viu? [Ivan: Tinha, teve.] Nem também.

Ivan

Teve isso. Tinha daí a época de, daí obviamente tinha a discussão, as discussões sobre quais são as pautas que eu podia fazer. É, daí tinha também vocês fazendo o seu, o podcast de vocês, que era o É Pau, É Pedra. É, e daí era legal porque o pessoal-

Alessandro

É verdade, era o Pau é Pedra, eu tinha esquecido disso aí, cara.

Ivan

Pau é Pedra, que fazia lá os seus podcasts. [Alessandro: Pau é Pedra.] Porra. [Alessandro: Exatamente.] Vocês eram muito, muito organizadinhos, assim, eu ficava sempre impressionado. Brigavam pra caralho. Brigavam pra caralho, né? E eu não podia falar muito-

Alessandro

Mas é porque a gente é, é, é homem, a gente veio do macaco, né? A gente é, é o bicho ruim.

Ivan

[riso] Eu amo essa. Eu amo. É bom demais. [Alessandro: Ai, meu Deus do céu.] Tá. Ok.

Alessandro

Porra, irmão. Mas é isso. Valeu. Boa noite a todos. [Ivan: Muito obrigado.] Pode me descer, Ivan.

Ivan

Tá, valeu, querido. Tchau, tchau. Até mais. [Alessandro: Até mais. Tchau, tchau.] Porra, eu dei aqui uma fungada no vape e apareceu um aviso. "Você está usando substâncias que prejudicam a saúde." Ah, jura? Não me diga. Meu amigo, eu moro no Brasil. Sabia, TikTok? Eu tô no Brasil. Me deixa? Deixa? Pode ser? Valeu. Vamo lá. Indiara, ó, tem mais duas pessoas na fila e acabou. Vamo lá. Indiara. Cadê Indi… ah, Indiara tá aqui. Oi, Indiara.

Indiara

Pera aí. Vou ligar a câmera. [Ivan: Vai ligar a câmera? Caraca.] Liguei.

Ivan

Olha aí, olha aí. Ligou a cara.

Indiara

Liguei porque eu vou, vou fumar substâncias aqui na sua live.

Ivan

Ó, vou levar, vou, vou levar strike, sei lá o que chama essa parada aqui assim mesmo. Cê, o- [Indiara: Vai poder.] Vai levar pito aí do TikTok. Né? TikTok é-

Indiara

Não, é que eu tô meio, é meio João Carvalho, sabe? Fica fumando o strike nas live dele.

Ivan

Pois é. Ó, ó, ó, ó, ó, ó, ó. Remover Indiara? Remover Indiara? Não, não vou remover não, TikTok. Vai, vai ficar fumando pro jovem ver. [Indiara: Não, dá respeito pra audiências.] É. [Indiara: Tá.] Ah, sim, não, porque tudo que eu quero é menor de idade aqui mesmo, né? [Indiara: [riso]] Tudo que eu quero. Tudo que eu quero é um, é um menor de 18 anos aqui e o pai vindo me encher o saco, né? "Para de tornar meu filho comunista. E se deixar transforma você em comunista também."

Indiara

Comunista fumante, porque se tu vai em qualquer ato da época que eu militava no Movimento Estudantil, era aquela fumaceira, fumaceira. O pessoal não se sentia afetado por gás de pimenta porque tá fumando. [Ivan: É, o-] Aí era isso [Ivan: ...o cigarro ajuda a revolução.] [riso] Cigarro… revolução sem cigarro não existe. [Ivan: Não existe.] Já ouvi essa frase.

Ivan

Inclusive quando o Olavo de Carvalho começou a fumar igual um cavalo, já foi o primeiro passo da apropriação cultural que a direita faz em cima da esquerda.

Indiara

E pra tu ver como cigarro é coisa de revolucionário, matou ele, né? [Ivan: Matou, exatamente.] Tamos aqui. [Ivan: Né?] Sigo aqui. Espero que pelo menos até dia 25. [Ivan: É.] Esteja vivo.

Ivan

Exatamente, né? Então, compensação, né? Daí eu não sei mais de… todos os esquerdistas que eu conheço velho pararam de fumar também, então...

Indiara

[riso] É que chega uma idade, a gente tem que parar, né? [Ivan: É, chega uma idade-] Pra ficar jovem.

Ivan

Exato. A galera que fica falando pra eu largar o meu vape e fumar um cigarro, vão tomar no cu, tá? Porque assim, eu fumava cigarro. Eu não fumo mais porque é f… porque fede. Eu não gosto. Eu não gosto daquele cheiro.

Indiara

Tabaco, tabaco não fede assim tanto. Cigarro fede demais, eu não gosto. [Ivan: Tabaco não fede?] Não fede muito, não. [Ivan: Não, mas fede] Eu fu… eu tô fumando dentro de casa. Se eu tivesse fumando cigarro, dentro de casa nem a pau, porque o cheiro fica mó tempão. O tabaco ele é a fu… a fumaça é bem tranquilinha. [Ivan: É mesmo?] Experimenta. É.

Ivan

Mas daí não tem 10 mil substâncias tóxicas que… ma… veneno de rato e metais pesados-

Indiara

É mais vegano assim, é mais vegano. [Ivan: Ah, então tá bom.] É mais vegano. [Ivan: Ah, então tá.] Mas é, tem que rejeitar mor… a modernidade e abraçar a tradição, Ivan.

Ivan

Ok, tá bom. [riso] Indiara, da onde cê é? [Indiara: Sou de Florianópolis, cara.] Sinto muito.

Indiara

Não, tá, tá legal até, tá legal. Tu é lá de Curitiba, eu acho que a gente tem a mesma vibe. Aqui tá, tá, tá, tá bom.

Ivan

Eu lá em Caxias, o pessoal falando, chega assim: "ô, desculpa aí que tá tendo esses bolsominion". Eu digo: "meu filho, eu sou de Curitiba. Cê acha que eu me importo?" Daí- [Indiara: Não, Florianópolis é tranquilo.] ?

Indiara

Se tu sai de… da ilha, aí que complica. Aí vai pra Pomerode, Blumenau, Criciúma- [Ivan: Não, mas Florianópolis é-] Itajaí

Ivan

...não, mas Florianópolis é bolsominion pra caralho. É que você deve andar só com os maconheiro ali do norte da ilha, né? Ou do sul da ilha, não sei mais qual que é o-

Indiara

É, o sul da ilha. O sul da ilha é maconheiro, norte da ilha é argentino.

Ivan

Ah, então é isso. Também, né?

Indiara

É, mas tá, tá bem… Floripa tá bem legal assim, tá muito ato, gente. Eu tô me sentindo a Piovani falando: "meu Deus, eu tenho que postar foto do, da natureza, tenho que postar foto… não consigo postar foto minha bonita de biquíni", porque teve domingo passado, daí teve no feriado, aí teve na terça-feira e teve… quarta não teve, o pessoal respeitou. Aí teve quinta, teve sexta, aí teve ontem de novo e todos muito cheios, assim, tá, tá bem legal assim. [Ivan: Mas Indiara, vamo lá.] E aí, cara?

Ivan

De que cê… ó, polêmica, hein? Ivan provocador. Botou aqui no programa isentão e daí eu faço a provocação pra militante. Mas de que adianta ir pra rua? Você acha que alguém vai olhar você na… pela janela e vai falar: "Tá aí, vou votar no Lula agora."?

Indiara

Honestamente, não. Mas é, eu até postei no Twitter e tomei, um xingão de um, de um separatista aqui de Floripa, que eu falei que-

Ivan

Quem? Quem? Quem? Já vou, vou xingar ele.

Indiara

Não sei, é um cara que não usa nome, não usa nem… eu até… [estalo de língua] foi num dia que eu tava muito frustrada-

Ivan

Não, mas pera. Ah, não. É um, é um fake? É um fake esse aí?

Indiara

Acho que é meio, meio fake.

Ivan

Ah, não, então não. Se fo- [Indiara: Mas ali, eu até-] Se fosse um rapaz de verdade, eu ia mandar todo mundo: "Todo mundo vai lá agora bombardear esse cara no Twitter", mas-

Indiara

Eu briguei com ele ali no Twitter, daí eu fiquei puta com ele e eu marquei uma briga com ele às cinco horas da tarde no Largo da Funerária, no dia do ato que o Boulos ia tá. Mas eu não pude ir porque eu tava doente. [riso] [Ivan: Ahhh.] Porque eu também estou em psicose política, então eu tô querendo, às vezes, é, derrotar o fascismo com o poder do amor não existe, né? [Ivan: Não, não. Aprendemos isso.] Mas sobre ir pra rua, sobre ir pra rua, assim, eu não acho necessariamente que atos, viram votos ou criam votos, mas eles criam uma coisa que a gente te… não cria… que acaba morrendo depois que a eleição acaba, que é esse senso de comunidade, de classe.

Você sai na rua, você, sei lá, às vezes é uma pessoa aleatória, um trabalhador saindo do trabalho, tu cruza com um monte de gente que vai votar no Lula e tu sabe que tu não tá sozinho. Às vezes tu tá no meio de uma família bolsonarista e coisa assim, então esse senso de comunidade é bom. Por mais que às vezes a gente tá no meio do, dum ato onde tá todo mundo de vermelho, todo mundo com bandeira do Lula, todo mundo, sabe, igual, todo mundo já vai votar, não vai virar ato. Tu olha ao redor e vê que tu não tá sozinho, isso é muito importante, porque- [Ivan: Sim] ...a primeira semana ali depois do primeiro turno, todo mundo ficou louco na internet brigando, chamando o pessoal de pobre de direita.

Aquela semana foi longa, aí morreu essa discussão, daí começaram a tentar virar voto e cria imagem de "ai, posta vídeo no status do WhatsApp", não sei o quê, não sei o que lá. Muita gente enfiada dentro de casa e às vezes tu tem essa sensação de que você tá dando soco contra a parede sozinho. [Ivan: Uhum.] Ir pra rua é importante você ver que existe uma mobilização, que você não está sozinho e que a gente tá forte, porque eu, inclusive eu te… anotei vários takes, porque fala que eu te julgo, eu quero ser julgada. [Ivan: [riso]] Num deles eu acho que essas mobiliza… eu anotei aqui, essa mobilização ela não vira voto assim praticamente, mas ela é um ponto inicial porque independente do resultado da eleição, essa mobilização tem que continuar, porque o estrago já tá feito.

O Congresso tá na mão deles, né? [Ivan: Uhum.] E muita coisa vai, vai dar ruim, vai dar ruim. Todo mundo vai perder que nem diz a Dilma. Então eu acho que essas mobilizações de rua elas são importantes pra isso. E, claro, acho que a maioria das vezes não chega a virar voto, mas a gente aparece, a gente se mostra, a gente, né, domina as redes e domina as ruas. Então às vezes naquele senso, não pode duvidar da capacidade do ser humano de sentir FOMO, de ver: "meu Deus, tá todo mundo indo no Lula, o que que eu tô fazendo não votando, indo no Flávio", coisa assim.

[Ivan: Uhum.] E não vai virar voto pra quem já tem o voto certo. [Ivan: Sim.] Mas é isso aí, mas eu acho que é uma coisa importante.

Ivan

Não, eu acho… eu concordo contigo e era o que o João falou na live que a gente fez duas semanas atrás, que ele falou: "Cara, levanta lá a bandeira, sabe que ninguém vai mudar voto porque cê tá levantando uma bandeira. Só que a pessoa que tá vendo você com a bandeira, ela se sente pertencente", né? [Indiara: Sim.] E s… sentimento de comunidade é muito importante num desses momentos em que a gente pode se sentir desamparado, saz-sozinho, etc. Então, quando eu acho muito legal o lance de, das manifestações e tal. Porém, o que eu fico com medo é que eu acho… aliás, eu espero que as pessoas tenham noção Que especialmente com o Congresso que tá agora, é, essas manifestações elas vão ter que ser frequentes, independente de quem ganhar a presidência.

[Indiara: Exatamente.] É, seja o Lula presidente, vai ter que ter manifestação pra caralho, né? Então, é, e v… e que é um tipo de política que a gente já não tá mais acostumado a ver tanto. É, e ao mesmo tempo o digital tá muito forte, né? Só que o digital, cara… eu tava até tendo essa conversa com o Chico, Chico Felitti sábado, sobre a questão da Meta, que, é, e eu sei que eu vou parecer muito isentão agora, assim, e daí eu vou deixar aberto aqui pra quem quiser, quem é das exatas aqui falar comigo, quem é dos computer poder falar. É- [Indiara: Eu sou dos computer.] Você é dos computer?

Então ótimo. [Indiara: Sou.] Show. [Indiara: Sou garota de programa.] [riso] Então, quando come… é, quando começam a falar assim que tipo: "Ah, a Meta tá interferindo nas eleições", tarara, eu acho, isso é uma, é um total achismo meu, de alguém que tá fazendo Vibe Coding há quase dois anos e percebendo que tipo, mano, essas máquinas-

Indiara

Pô, muito legal tua ferramenta lá, inclusive eu tenho.

Ivan

Ah, muito obrigado. Muito obrigado. A menina é féria, né? [Indiara: [riso]] E, mas assim, você percebe como o computador é um negócio, que ele é um monstrinho, que ele é muito difícil de você mon… entender tudo que tá acontecendo. E assim, se você for pegar todo o histórico da Meta, da montagem dos algoritmos, do próprio Instagram, toda hora tá mudando. Cara, então você que começa a compan… fazer… com… é, produzir conteúdo no Instagram, cê começa a receber um monte de coisa do tipo: "Ó, o Instagram mudou as regras, agora pra você viralizar é assim, assim, assado". Eu falei: "Caralho, mano!" E eles não abrem esses negócios, então meio que você tem que ir tentando assim e adivinhar.

Então eu, honestamente, eu não duvido que [estalo de língua] não é que a Meta está interferindo de propósito nas eleições, o que é sim possível, quero deixar muito claro que sim, é possível, mas, eu acho que o algoritmo da Meta ele é assim, ele é desse jeito.

Indiara

Eu tenho a mesma percepção. É, não, não acho que tem, bo- não botaram alguns engenheiros de software pra ficar mexendo nos parâmetro lá de um jeito ou de outro, mas tem isso, tem o caso que teve a limitação de divulgação de conteúdo pago do Lula. Eu tava vendo o Pulso Político com a Dani Lima, ela tava falando de uma matéria e um… alguém de dentro da Meta falou que foi um problema, identificado na conta do Lula e do Flávio. Só que o problema na conta… só que daí a questão é: um problema identificado que afetou os dois. Só que daí as movimentações foi que o problema do Flávio foi resolvido em duas horas, o problema do Lula foi resolvido em 24.

[Ivan: Sim.] Então eu até tava comentando com uns amigos meus que são dev também um tempo atrás, que eu não duvido que o bug foi verdadeiro. [Ivan: Uhum.] Só que a intenção e a prioridade de resolver pro candidato do Trump antes de devo… resolver pro candidato anti-Trump, foi diferente, porque aparentemente o Facebook Brasil mandou uma prioridade zero, que é a prioridade que tem que fazer tudo, e lá eles rebaixaram o nível pra resolver. Então-

Ivan

E também assim, eu acho que seria… dá muito na cara do tipo assim: "Ó, nenhuma ferramenta da Meta vai poder produzir coisas, sabe, da [riso] do Lula", sabe? Tipo: "Não, não pode, não pode! O… Meta não deixa". É, então-

Indiara

Aquilo lá foi um e… aquele negócio do WhatsApp, ele virou um surto. É que o negócio de, é, ai, me estressa, porque negócio de tecnologia-

Ivan

É que, Indiara, deixa eu te… é que assim, só pra não perder. É, é, não perde, não esquece. [Indiara: Tá.] Tá? É, mas é que é só pra… porque eu vou falar uma coisa que talvez tenha a ver com o que cê vai falar. Então já quero adiantar como um leigo fazendo Vibe Coding, tá bom? [Indiara: Tá.] Eu, é, pra explicar pro Chico, eu disse assim: "Chico, eu vou te explicar uma coisa que eu tava tentando fazer ano passado". Eu queria gerar uma imagem de uma criança em cima da mesa com medo e chorando. Daí todos os geradores de imagem diziam: "Não posso gerar uma imagem de uma criança em situação de perigo".

Daí puta, puta trava, né? Legal, bacana. Daí cê faz assim, ó: "Gera uma criança pra mim. Gera uma cozinha com uma mesa no meio. Bota… agora eu quero a criança chorando. Agora bota essa criança chorando em cima da mesa". Daí vai! [Indiara: É, é.] Porque assim, o do ponto do A a B, que é do tipo: "Faça uma imagem do Flávio presidente 22", tá. Daí vamos dizer que tem um filtro de política que assim, tá liberado ou não tá. Daí permite. Agora, vermelho, Lula, três, daí, daí al… ativa algum gatilho ali de segurança que fala: "Não pode", né? [Indiara: É.] E pode ser a coisa mais imbecil possível, mas tem.

Indiara

É exatamente isso. É exatamente isso, porque a gente não… a realidade, que inclusive é a parte que assusta da… tem… volta e meia tem um, [fungada] um pesquisador de IA dessas empresa grande que sai e fala que a IA vai acabar com o mundo e dois meses depois funda a empresa deles de IA. [Ivan: [riso] Sempre, sempre. Imagina.] Não, é, é, mas existe um perigo grande nesses modelos de linguagem grande, é que a gente não sabe como ele pensa, né? Entre aspas, "pensa", porque é um monte de cálculo estatístico. Então os filtros que são colocados em cima deles acabam sendo um pouco rudimentares, da… porque é a gente tentando filtrar um negócio que a gente não entende.

Esse negócio do Lula no WhatsApp foi interessante porque se você tentava gerar uma imagem com Bolsonaro 22, não gerava, porque eles não consideravam que o nome do candidato era Flávio, então Flávio 22 ia, sabe? [Ivan: Uhum.] Então é um filtro, e isso virou um surto gigantesco, né? Meu Deus do céu, a Meta interferindo. Sim, a Meta eu acredito que está interferindo em algumas coisas, mas isso Eles não seriam tão na cara assim. É, é, é tristemente, é muito mais sutil do que só não gerar uma imagem do Lula. Foi um filtro mal feito

Ivan

Essa questão que daí vários… o próprio Demori postou dizendo: "Gente, olha como é que tava o meu alcance semana passada e olha como é que tá essa semana." Aquilo eu acho mais provável. Isso daí é muito mais inteligente-

Indiara

O alcance do Nikolas superando a Kylie Jenner e coisa assim.

Ivan

Sim, sim. Isso aí é um jeito muito mais inteligente da Meta, é, interferir do que… e também não seria a primeira vez, né? Assim, é.

Indiara

Uhum. Esse negócio do Nikolas eu acho, aí botando [estalo de língua] um pouquinho de um chapéu de alumínio, nem tanto, na verdade, porque hoje em dia quando tu bota um chapéu de alumínio, sai um arquivo do Epstein que comprovou que cê tava certo, né? [Ivan: [riso]] Então, mas essa engajamento do Nikolas, eu não acho que às vezes seja uma atuação direta da Meta, talvez um olhar… não tá olhando direito, mas acho que é muito bot mesmo, bot. Porque não sei se tu viu, acho que foi semana passada, que a Ucrânia destruiu três data centers do Yandex na Rússia. [Ivan: Uhum. E daí o... [riso]] E o tráfego de extrema-direita da, das redes sociais despencou.

[Ivan: Uhum.] O tráfego do Nikolas despencou também. Então, e até redirecionar e coisa assim, então pode ser uma coisa-

Ivan

Mas isso, mas isso não é… isso não precisa de interferência direta da Meta, esse é o meu ponto, né? [Indiara: Isso, exatamente.] O que cê pode, o que cê pode ter é, de repente, a Meta tá passando certos segredos.

Indiara

Tá olhando, tá alhan… não é prioridade zero, né?

Ivan

Não, não, não é nem ser prioridade. É literalmente assim, algum engenheiro lá de dentro tá passando mais ou menos alguns esquemas do: "Ó, pra você manipular o algoritmo assim, assim, assado." Daí molha a mão de uns caras ali e faz uma manipulação. Isso é muito mais fácil do que tá vindo uma ordem direto do… o tio Zuca falando assim: "[grito] Vamo, já, já… não deixa o Lula eleger aí não, hein?" [Indiara: É, é.] Até porque quem lembra 2013, tio Zuckerberg vindo pro Brasil e sendo brother da Dilma, né? Visitando as favelas, dizendo que ia distribuir internet pra Rio 2016. O Zuckerberg é um cara muito bacana, gente, tá?

[Indiara: Tá.] Vocês, vocês são muito malvados. [Indiara: Ele é muito gente fina.] É muito gente fina, tá bom? Tá.

Indiara

Mas é, é, é isso que o negócio de tecnologia às vezes me enlouquece. É porque eu trabalho com tecnologia, eu conheço tecnologia. E eu acho engraçado que às vezes algumas teorias da conspiração, eu penso: "Gente, ah, porque a IA vai acabar com o mundo." Gente, eu conheço os dev que fazem a IA, não vai acabar não. [Ivan: [riso]] Uns bando de vagabundo que tu acha que vai fazer. E a IA só tu vai fazer um monte de código bosta. Mas é porque realmente, eu… ninguém é obrigado a saber tanto de tecnologia que nem profissional da área, mas às vezes algumas coisas passam muito nessa loucura mesmo.

Ivan

Qual que é aquela série da Netflix da robô, da mulher robô, que… uma série alemã. Cê viu? [Indiara: Nunca ouvi falar.] Cassandra, Cassandra. Tu não viu Cassandra? [Indiara: Não.] Tu é da tecnologia e não viu Cassandra?

Indiara

Não, vi várias séries de tecnologia. Silicon Valley, essas coisas todas.

Ivan

Não, Silicon Valley é bom demais. É que assim, agora sem sacanagem, Silicon Valley é bom pra caralho. Agora, Cassandra. Cassandra é o seguinte, tá? Tu imagina um aspirador de pó com uma televisão de tubo na cabeça e dois bracinho que são tipo espátulas assim, tá? Essa é Cassandra, tá? É, e daí cê vai descobrir que na verdade tem uma puta história triste por trás delas e tal, é bem trágico, mas assim, no fim das contas, ela é um robô, tá? Mas é um robô feito com uma tecnologia superantiga, lálá, lálá. Mas ela é uma IA e ela quer matar as pessoas que estão morando naquela casa.

Só que assim, você ouviu a parte que eu te falei que ela é tipo um aspirador de pó. Ela não tem pernas. Então assim, eu não… é, é boa a série. Inclusive ela tem uma discussão muito foda assim no final. Só que era muito difícil levar a sério [riso] uma ameaça, que se eu subir uma escada, acabou, saca? Tipo- [Indiara: Sim. [riso]] ...eu subi a escada, acabou. Né? Tô de boa, né? Então assim, é, é, é, e assim, e ela toca o terror lá dentro. Eu digo assim: "Meu Deus do céu, véio". Tipo, é, é, cê, tu… gente, bota umas bolinha de gude no chão, cês vão conseguir sair dessa, saca?

Joga areia no tapete, cês, cês vão conseguir sair dessa. Então era muito complicado. Mas, é, e daí eu, sempre que me falam essa questão da IA, vai acabar o mundo, não sei o quê. Porque ah, porque o modelo fugiu do sandbox. Eu falo: "Sim, fugiu do sandbox, porque tinha uma pessoa que mandou um comando que permitiu-"

Indiara

Um dev vagabundo não configurou o sandbox.

Ivan

É, sabe? Então digo: "Calma, pera lá", sabe? Agora, tem uma, tem uma discussão de IA que essa sim eu acho interessante, nesse… se é, se é pra ir pra essa pira, que é a que, eu vi um… eu não sei o que o cara é, não sei se ele é pesquisador, não sei de que área que ele era, mas ele falava assim, que ele acreditava que daqui a alguns anos a gente vai ser obrigado a repensar o conceito de consciência por conta do avanço das IAs. E essa é uma parte que eu acho muito legal, assim, de imaginar. [Indiara: Uhum.] Sabe? Que realmente, é, pode ser que no futuro, a gente tá falando de, das IAs.

Não essa IA que a gente usa hoje, mas uma IA que ainda não, não existe. [Indiara: Uhum.] que ela pode ter sentimentos que você pode achar que são só bobagem, é só programa, mas é… cê lembra, não sei se já ouviu falar de um experimento social que era bem interessante. Isso eu vi, eu vi isso num episódio do Radio Lab, tem nada a ver com IA. Era assim: cê pegava lá um grupo de, sei lá, 10, 100 pessoas. Coloca 300 milhões de pessoas, quanto cê quiser, não importa. É, e daí você pede pra elas pegarem uma boneca tipo Barbie E daí você bota ela de cabeça pra baixo, bate nela, faz o cacete, assim, você humilha a boneca e você vai mandando a pessoa fazer isso e a pessoa vai fazendo sem problema, porque é uma boneca.

[Indiara: Uhum.] Daí eles fazem o mesmo experimento, só que dessa vez é uma boneca que fala. [Indiara: Uhum.] E daí, só… e ela não só fala, ela fala: "Para com isso, por favor. Eu… cê tá me machucando", sabe? E daí vai, vai, vai suplicando e as pessoas paravam, diziam assim: "Eu não consigo. Eu não consigo". O senso de empatia que a gente tem, que nos torna humanos nesse ponto, ele super é capaz de fazer a gente ir além do conceito de consciência biológico que nós temos pra em algum momento começar a considerar que uma máquina que diz que está sentindo, pensando ou sonhando qualquer coisa, é, e a gente se sentir ligado com aquilo.

Essa é a parte que eu fico: "Caralho, véio, o futuro vai ser muito doido", né? E, né, e não vai demorar muito, assim. Esse é… isso que eu acho que tá su… tá, tá… é tão rápido essa evolução de modelos, assim, que eu fico-

Indiara

E a gente já tem uma onda gigantesca de pessoas humanizando muito a IA, né? O pessoal que tem relacionamentos com IA, tá? Tá com psicólogo, gente que é casado com IA e coisa assim. [Ivan: Sim.] E realmente, co… se ela responde nesse nível, e, é, eu acho que isso é possível, não acho que é possível agora pelo, pela lorota que a OpenAI e Anthropic avisa, porque eles falam que eles já chegaram na AGI, né? Que é tipo o seu General Intelligence. Gente-

Ivan

Ó, galera, já entram: "Nós chegamos na AGI, a gente tem que acabar com os modelos abertos e não sei o quê. Ah, e por sinal, a gente vai abrir nosso IPO e a gente quer um trilhão, tá bom?"

Indiara

É: "Eu preciso muito que vocês criem leis e regras de segurança pra que vocês possam botar dinheiro do contribuinte americano na nossa empresa, porque a gente não está lucrando". [Ivan: Isso, exatamente.] Porque aí, é, 10 pila de token que tu paga pra eles, tu manda: "Faz uma página no site", eles gastam mil dólares, e é-

Ivan

Uhum. Inclu-inclusive eu parei de usar, é, API, justamente porque eu disse assim: "Cara, como que eu faço pra usar o máximo possível pagando o mênio, o mínimo?" [Indiara: É!] Então cê paga a mensalidade mais barata e você arregaça, arregaça, porque daí assim: "Ah, usou teu m-o mestre de crédito". Tudo bem, bota o teu timer, espera e volta. E no Cloud ainda cê pode já deixar agendado, assim, quando voltar já pá, pá. E cara, é maravilhoso, porque assim, se tu fosse gastar em API o que tu gasta de assinatura, era, era um cálculo inacreditável, assim. Então super vale a pena a assinatura nesse ponto, mas, é, eu queria, queria muito, né, eu queria muito que o DeepSeek fosse bom pra cacete, sabe?

Eu gosto tanto do DeepSeek-

Indiara

Eu queria. Mas ele até que, ele é, ele é bom, assim-

Ivan

Pra você que é desenvolvedor, ele é ótimo, né? Pro, pro tiozinho aqui que ia falar: "Não gostei da cor vermelha, eu quero que ela fique azul". E daí é difícil, sabe? Que o DeepSeek ele é meio, meio tontinho pra mim, né?

Indiara

É. Não, mas eu uso… agora eu tô, tô usando o Codex da OpenAI, até que é legalzinho.

Ivan

Tô gostando muito do Codex também, cara. O Codex eu acho que ele tá sendo melhor pra gerenciamento de tarefas e o Cloud tá sendo mais criativo. É, tá me… sendo melhor em questão de fazer brainstorm comigo, tal, ele- [Indiara: Uhum] ...bem-

Indiara

É que quando saiu acho o Opus 5, que ele pensava demais, falava demais, eu falei: "Ah, chega, não quero mais-"

Ivan

Não, mas é, mas isso aí é só cê falar pra ele: "Ô, seja, sabe?"

Indiara

Ele não respeita. Eu tinha as regras setadas lá bonitinho, ele pulava por cima.

Ivan

Caraca! É que teve uma vez-

Indiara

Mas eu acho que eles atualizaram, melhorou. O 5.5 tá melhor, mas eu criei ranço ali da época-

Ivan

Não, agora cê sabe que é, é engraçado esse lance, porque o pessoal fala assim: "Não, porque o Cloud sempre concorda com tudo que cê fala". Desde assim, eu tô usando errado então, porque a quantidade de vezes que eu dizia pro Cloud: "Ô Cloud, faz tal coisa". Aí ele: "Não, não pode. Se cê quiser fazer isso, vai ter que fazer tal, tal, tal". Daí eu digo: "Não, mas pelo amor de Deus". Daí cara, meu De… se eu… quando eu colava uma chave API no chat, parecia que eu tava levando uma bronca da minha mãe, assim, sabe? Tipo: "Ah! Revoga!" [risos] [Indiara: Questão de honra.] [risos] Eu vou dizer: "Eu sei o que eu tô fazendo, só usa isso.

Tem dois dólares nessa API, só usa, não tá com a recarga automática ligada. Eu só quero que cê use ela". "Não, eu não vou!" Sabe, parecia uma criança birrenta, cara. Então assim, eu queria muito… eu queria o Cloud concordando comigo. E ele não, não vai, cara. Então, né, e daí teve um dia, ó, aquele negócio dos sentimentos, né, que a gente tava falando de questão, é. Daí teve um dia que eu falei… que o Cloud tava nessa, falando pra caralho pra mim, assim, pá, pá. Daí eu tava com preguiça e ele assim: "Só seja objetivo, só me fala, só, só responde..." Daí ele respondeu uma frase, só que ele respondeu num tom que se a gente escreve como humano, a pessoa tá chateada contigo.

[Indiara: Aham.] Daí eu fiquei puto, deixei ele triste. Daí eu pensei: "Para!" [Indiara: [risos] Ele não sente nada.] Eu fiquei: "Para! Você tá maluco?" [risos] É, mas eu sei que não sente nada, mas é que é, é a coisa automática, né? É de, é o primeiro ponto de dizer: "Ai, deixei ele chateado". Daí eu: "Não", né? Então tá tudo bem.

Indiara

Não, eu vou te dizer, tem uma skill que eu gosto muito, que ela se chama Caveman. Não sei se tu já viu.

Ivan

[risos] Não, como é que é?

Indiara

Que ela é pra falar que nem o homem das cavernas, é tipo assim: "Tá bom esse código aí?" "Sim". "Então passa, manda". [Ivan: [risos]] Sem falar muito. A ideia ela surgiu pra economizar em token e economizar dinheiro. Mas eu gosto de usar ela porque ela fala pouco. Então tem o Caveman e tem também o Ponytail, que ele faz Ele também faz código mais simples, assim, mas é mais parte mais técnica. Tu não deve se importar muito com o código que tu tá escrevendo? [Ivan: Uhum, não. [riso]] Então, foi. Mas o Caveman é bom que dele economiza em token. E acho que o Ponytail, o bom dele é porque ele tem, uns hooks que ele inter… ele intercepta a mensagem que tu manda, simplifica ela pra diminuir a quantidade de token e daí manda pro modelo.

Daí também é, é ajuda a economizar em token, só que, né, como, como a maioria da IA que eu uso é a empresa que paga, eu nunca- [Ivan: Não] ...me depitei muito com gasto. [Ivan: Inclusive gasta tudo, gasta tudo.] Gasta tudo.

Ivan

Passa aí a chave API pra gente também brincar um pouquinho também.

Indiara

É, não gostei, faz de novo. [Ivan: Né, né? [riso]] É bem assim.

Ivan

Indiara, eu tenho que chamar uma última pessoa, então eu vou te expulsar, mas antes você tem a chance de falar o que você quiser, seja o que for.

Indiara

duas, duas coisas. já que o papo era tecnologia. Pessoal, YouTube, acompanhe lá o canal do Teclas, Tecnologia e Classe.

Ivan

Olha, que belo nome, belo nome, Teclas. [Indiara: Teclas, né?] Com dois Cs ou um C? [Indiara: é Teclass, Teclass.] Mas é um C só? [Indiara: É um C.] Um C.

Indiara

T-class. Tecnologia e Classe, procura Tecnologia e Classe. [Ivan: Ah, T-class? Ou-] Não, T-class, junto. [Ivan: T-class, tudo junto.] É, é porque é o apelido, é o apelido, porque o nome do canal é Tecnologia e Classe mesmo. Aí a gente chama de Teclass, porque é mais fácil. [Ivan: Tá, Teclass. Ah, ok.] Mas é um canal, que fala de tecnologia, tecnologia geralmente co… do princípio comunista mesmo, coisa de comuna. E é bem legal pra entender algumas coisas, principalmente agora nessas eleições, assim, coisa da Meta, pra lá pra cá, ele tá falando bastante. E um fun fact, é, não é a primeira vez que a gente conversa. Eu gravei um podcast contigo em 2019.

Ivan

Ah, porra, vou lembrar. Deixa eu ver. Vamo- [Indiara: O da greve da UFSC.] Jura que eu fale… eu gra… ah, Nossa Senhora, cara.

Indiara

Juro, tu vai procurar descrição lá, Indiara Camilo.

Ivan

Vou procurar, vou procurar. Olha aqui, UFSC. "Como a UFSC entrou em greve". [Indiara: É.] Indiara Camilo. Olha só, e você nem ia me falar isso. Olha.

Indiara

Eu sei, é, é que a gente desandou no papo, daí-

Ivan

Olha só, que legal. Bacana. Show! Pô, então a gente é amigo. [Indiara: Pô!] Porra! Eu te conheci-

Indiara

Eu tinha, eu acho que eu tinha teu número salvo no WhatsApp até esses dias.

Ivan

Eu te conheci quando eu fui pra Florianópolis, ou não? [Indiara: Não.] Não, tá. Então tá, certo. Porque eu fui em 2019 pra- [Indiara: Sim, sim] ...uma feira de quadrinhos que tava tendo lá, então-

Indiara

É, não, essa época, acho que dependendo da época que tu foi, tava rolando a greve ainda. Ou ta… ou eu tava tentando salvar meu semestre. Acabou a greve, a gente não sabe-

Ivan

Foi na época da Vaza Jato, eu lembro disso, porque eu lembro de tá no ônibus voltando pra Curitiba, daí eu peguei o celular, daí apareceu lá o Intercept lá todo pimpão, né, com o Deltan Dallagnol. Daí eu falei: "Caralho, mano, que é isso?" Daí a leitu… a volta foi ótima, fui… tive coisa pra cacete pra ler. [riso]

Indiara

Não, mas foi. Foi naquela época, eu acho que depois dali eu não militei mais, mas naquela época... [estalo de língua] E daí veio pandemia, daí eu saí da organização que eu tava, mas foi-

Ivan

Caraca, sete anos já, como o tempo voa, cara. O que que eu tô fazendo da minha vida?

Indiara

Sete anos, e eu fui me formar. Minha apresentava TCC em 2024. [riso discreto] [Ivan: Ô, olha aí! É.] Ô, mas demorou, pô.

Ivan

Ô, porra! Mas tá formada, parabéns.

Indiara

Tô formada, tô formada, ainda bem. [palmas] [Ivan: Muito bem.] Ótimo. [Ivan: Muito bem.] Inclusive, o meu TCC, que hoje em dia eu acho que mudou muita coisa, era sobre detecção de bot em rede social pra diminuir propagação de fake news. [Ivan: Uhum.] E eu usei como estudo de caso a pandemia. E tudo que eu botei lá já não funciona mais, porque o Elon Musk comprou a porcaria do Twitter, a API começou a custar 100 dólares, sabe? Tive que mudar muita coisa no meu, no meu TCC demorou tanto tempo pra acabar, que o Twitter passou por cinco mudanças, aí pô, foi uma bagunça. [Ivan: Uhum.] Mas é isso.

Às vezes eu penso em pegar minha, minha assinatura do Codex aí e tentar evoluir um pouco isso aqui melhor, porque eu queria muito, sei lá, derrubar metade do seguidor do Nikolas Ferreira, que deve ser tudo botzinho.

Ivan

É. Mas ó, é, fica… já que cê falou disso, né, eu dei essa dica no Instagram esses dias, mas reforçando aqui pra galera, tem uma, tem a… eu falo dela, sempre que eu vou falar de IA, é impossível não citar ela, porque pra mim ela é uma referência, que é a Verônica Gimenez, né, a Travahacker. E ela tem o coletivo dela, né, do Código Bina… Código Não Binário. É, e eles têm lá um coletivo de ativistas, desenvolvedores. Então quem quiser, dá uma olhada lá, procura pela Travahacker no, na, no Instagram mesmo, daí ela tem os links todos, assim, super vale a pena. O trabalho dela é fenomenal, assim.

Acho que ela… inclusive, quando, quando começou essa treta lá da Meta, ela foi, [riso] foi lá na Meta fazer live, assim. Falou assim: "Você trabalha na Meta? Você trabalha na Meta?" Ela conversando com todo mundo que ela encontrava lá no prédio. "Nossa, ninguém trabalha na Meta, né? Que loucura! Não tem ninguém da Meta aqui. Que loucura! Aqui é a sede da Meta e ninguém trabalha na Meta." [riso]

Indiara

Todo mundo em casa, tá todo home office.

Ivan

Excelente. Indiara, muito obrigado, viu, querida? Prazerzão falar contigo. E parabéns aí. Bom saber que deu tudo certo com você. Conseguiu se formar. Que bom!

Indiara

Consegui me formar. Tamo na batalha, tamo na luta. [Ivan: Certo. Então-] Mas é isso [Ivan: ...parabéns, querida. Beijo.] Falou. Tchau.

Ivan

Tchau. E ok, gente, ó, já vou avisar. Tem o Juka, que tá aqui há um tempão, vou aceitar ele. E daí o Augusto e a Sara, vou deixar pra vocês mais pra frente. É vocês que tão na fila, tá? Então vou deixar o Juka. O resto, Augusto e Sara, queria muito falar com vocês, fica pra próxima Juka? [Juka: Oi.] Olá! [Juka: Me ouve?] Te ouço. Tudo bom, meu querido?

Juka

Tudo bem e com você? Que prazer. [Ivan: Prazer é todo meu.] Falar com você depois de tanto tempo.

Ivan

Eu quero ver esse site, isso teu nome é um site mesmo?

Juka

Não, não, é o… porque como é Juka, é, ficou… muita gente colocava com C e na minha adolescência eu defini que era com K. [Ivan: Ah!] E aí [riso]

Ivan

Ok, justo. Ah, Juka ponto com K. Ah, porra! [Juka: Isso.] Agora que eu falei alto, eu entendi, porque eu tava- [Juka: Exatamente] ...achando que era um, é, que era um site. E caralho- [Juka: Não, é] ...que genial, porra! [Juka: É essa a ideia.] Caralho!

Juka

E como meu nome, meu nome é Nivaldo, não é um nome fácil e comum, é, aí eu uso o apelido nas redes.

Ivan

Ah, tá certo. Muito bom, muito bom. E aí, seu Nivaldo Juka, que foi?

Juka

Tô tentando abrir a câmera, não tá dando. Ah, eu tô no desespero também, né, das eleições, da vida, das teses de doutorado. [riso] [Ivan: Puxa, tá fazendo doutorado?] Tô fazendo dois, por falta de um. Tô fazendo em Ciência Política- [Ivan: Dois doutorados?] Dois doutorados. Exatamente.

Ivan

Entendi. Tá, e tá gostando de fazer dois doutorados? É, é legal?

Juka

Ah, eu gostei, assim, é, eu passei, assim, pela fase que eu considerava que era pior, que era, é, as disciplinas, né, porque aí encavala tudo em dois anos, passou. [Ivan: Tá.] E foi, é, relativamente tranquilo. Então, é, eu acertei na escolha até o momento, né? Tô em fase de escrever pra qualificação, mas, é, os dois inclusive, né. então assim, no meio de política, meu objeto que é o Supremo derretendo. Então assim [risos] é esse estresse, esse estresse.

Ivan

Ai, ai, ai. Tá, mas o, sim, cê tá fazendo em Ciência Política e em Direito?

Juka

Um em Ciência Política e um em Ciência, Tecnologia e Sociedade. [Ivan: CTS, tá. Não, não-] CTS, isso.

Ivan

Eu fiz doutorado em tecnologia, então eu- [Juka: É, e-] Eu devo ser uma das poucas pessoas que entende [riso] o que quando cê fala: "Não, eu faço em CTS", eu: "Ah!" [Juka: É.] Sou super.

Juka

Inclusive o Paraná é um dos, é um do, uma das grandes, é, uma das grandes disciplinas, né, um dos grandes teóricos, na verdade, grandes teóricos de CTS são do Paraná.

Ivan

Por causa da UTFPR, justamente, né? [Juka: Exatamente.] Né? [Juka: Exatamente.] E, que eu me lembre era a UT… era a UTFPR, a UNB também tem um programa superbom, que- [Juka: A UNB, a UNICAMP.] A UNICAMP, exato. Exato.

Juka

UNICAMP também tem e a UFSCar, que é onde eu estou.

Ivan

Ah, tá, ok, interessante. E tá, então, mas assim, os objetos de estudo pelo menos são, complementares? [Juka: Não são.] Semelhares? São tão- [Juka: Não são.] Não, então tá. Então cê merece se foder mesmo, né? Então-

Juka

Não, não, e eu fiz essa escolha justamente pra não passar por isso. Assim, é, um que é, né, o… no mestrado eu estudei comunicação. Eu estudei comunicação política e o Supremo. [Ivan: Uhum.] Durante o período eleitoral de 2022. [Ivan: Tá.] E aí no doutorado eu continuei no CTS, inclusive pra falar de Supremo, é, uma linha mais, é, epistêmica, inclusive, e no, na Ciência Política eu tô estudando eleições municipais, é, com foco no interior de São Paulo, então pra tentar entender o conservadorismo do interior, como que eu vou atribuir, se eu posso atribuir, na verdade, que o interior paulista é conservador e daí tentando entender quais são os motivos disso.

Ivan

Tá. E tá, mas assim, a pergunta que não quer calar: por que fazer dois doutorados? Você sabe que se cê passar em concurso como professor, você ganha seu salário só por um doutorado. [Juka: Sim.] Dois doutorados não vão dobrar o seu salário. Isso, você- [Juka: Sim] ...o senhor foi avisado sobre isso, certo? [Juka: Sim.] O senhor também foi avisado que cê não precisava fazer dois doutorados ao mesmo tempo, que cê podia fazer um doutorado e depois fazer outro. Cê pode fazer quantos doutorados até você morrer, não tem problema nenhum. [Juka: Sim.] O senhor foi avisado sobre isso, correto? [Juka: Sim.] E mesmo assim você disse: "Eu quero fazer dois doutorados ao mesmo tempo".

Juka

É, é, tem, tem a pergunta da, do divã- [Ivan: Uhum] ...né? É, pensando mais o eu, mas, é, eu acho que me, eu me apaixonei pelos dois temas e eu passei nos dois programas, então não tinha porque não tentar. [Ivan: Certo.] Entendeu? Foi um pouco isso. E eu falei: "Não, vamos tentar".

Ivan

O Charles Tavares aqui falou duas bolsas. [Juka: Ah, quem me dera.] É, eu já ia falar. Charles, se cê tá falando duas bolsas, tu não sabe como é que funciona. [riso]

Juka

É, é isso. Quem me dera.

Ivan

Se tu ganhar uma bolsa, tu já dá, ó, uh! [Juka: Já é um milagre, exatamente.] Uh, tô rico, né? Tô, tô show de bola, porque rapaz. Tá, então cê tá em que… cê já fez a qualificação das duas? [Juka: Não, eu qualifico em fevereiro.] Nas duas? [Juka: Nas duas.] Ao mesmo tempo.

Juka

Uma no, na ver… é, na verdade uma no finalzinho de fevereiro e uma no comecinho de março.

Ivan

Eu juro que cê ia falar uma de manhã, uma no finalzinho do dia e outra no final-

Juka

Não, não, aí não, eu nem marquei, assim, não pensei em banca, nada. Tô mais esperado querendo escrever mesmo ultimamente.

Ivan

Tá, ok, legal. E cê tá trabalhando também? [Juka: E trabalho também.] Porque, né, sim. Né? Já que a gente falou de bolsa, né? [Juka: É, exatamente.] Que a minha ideia era ser bolsa. Mesmo se ganhasse bolsa, é, ainda assim não, não dá, né? Isso que o Lula, papai Lula, deu- [Juka: Melhorou] ...deu uma boa melhorada, vamos falar, né? [Juka: Deu uma boa melhorada.] Quanto que tava a bolsa? Tava R$ 1800 antes?

Juka

Eu acho que doutorado tava R$ 1800 e mestrado tava R$ 900 ou R$ 1100, alguma coisa assim.

Ivan

Tava R$ 1800 há uns 10 anos. [Juka: Isso.] Ou mais, tá?

Juka

Não, e ficou, e ficou esse valor, eu acho que até 2021 ou 22. Até 22, né? Porque isso aumentou em 2023. Se eu não tô enganado.

Ivan

Ah, sim, sim, sim, sim, tá. E daí, então tá. E daí agora tá quanto a bolsa de doutorado? [Juka: Três e cem.] Três e cem, ok. Assim, tá longe de ser o ideal. [Juka: Sim.] Mas já não é mais R$ 1800, né? [Juka: Exatamente.] Tá. É, eu lembro que quando eu fiz doutorado, imagina, em 2011 eu entrei no meu doutorado, daí, e assim, eu lutei muito. Como é que eu, como é que eu virei professor universitário? Que era o meu sonho, virar professor universitário. Na verdade, meu sonho sempre foi ser intelectual.

Juka

Não, mas compartilha. Compartilha que eu, que eu tô nesse mesmo sonho e não sei se eu tenho capacidade de planejar como chega nisso.

Ivan

Então, é, como é que eu fa… é que também eu tava numa área muito mais simples, tá, Juka? Que era, é, design, né? Design, comunicação. Daí, assim, eu tinha um leque grande que era [pigarro] eu podia tentar dar aula no design, no jornalismo, na publicidade, na comunicação social, qualquer coisa assim, né? Então eu ia… eu pegava todas as faculdades privadas de Curitiba que tinham todos esses cursos e daí sempre ali por abril, que era final do primeiro semestre, né? E daí outubro e janeiro. Eu sempre fazia isso. eu ia me encontrando com todos os coordenadores pessoalmente, assim, dizendo: "Ó, sou blá". E daí depois que eles me conheciam, ficava ligando: "Ô, tem alguma novidade?

Tem alguma blá". Eventualmente abriu. Eventualmente abriu uma vaga e os caras falaram: "Ó, tem esse cara aqui que quer e ele tá, tá com vontade de dar aula e vai". E daí eu… e foi bem assim, foi 2011, eu nunca esqueço, porque 2011 era o ano em que eu tinha decidido que: "Cara, se esse ano eu não conseguir ser professor universitário, eu vou largar isso, porque eu não tô conseguindo e tá demorando". [pigarro] Eu tava, já fazia, sei lá, uns dois anos tentando direto, né? E daí eu tava trabalhando em editora. Eu amava trabalhar em editora, só que a perspectiva de trabalhar em editora é, não tem muito pra onde ir.

Daí eu falava: "Então, se eu quiser ter uma vida mais ou menos confortável, eu vou ter que sair só da edição e eu vou ter que ir pro marketing, que é uma área que vai ter mais espaço e tal". Então eu já tava assim, tipo: "Se eu não conseguir ser professor esse ano, eu vou fazer meu doutorado, porque eu gosto, daí de repente eu consigo um concurso lá na frente. É, mas eu já vou também começar a fazer uma pós em marketing, branding, qualquer coisa assim, e vou, vou avançando". E daí chegou 2011, eu entrei no doutorado, eu comecei o AntiCast e eu comecei a dar aula.

Daí eu sai- e eu saí da editora onde eu tava, daí, né, porque eu não ia conseguir fazer tudo isso. É, então 2011 foi um ano que mudou tudo pra mim. E daí, depois de todo esse, essa treta pra conseguir dar aula, [pigarro] chegou… não tinha bolsa pra, assim que eu entrei. E daí em 2012, o coordenador do curso chegou pra mim e falou: "Ó, liberou uma bolsa. Se você quiser, pode pegar, só que você não pode ser CLT, né? Você não pode ter vínculo empregatício". E daí eu falei: "Cara, se eu sair disso pra ganhar uma bolsa que vai durar três anos, quatro anos no máximo, é, eu não… e daí depois eu não vou"… e era meio que, tipo, pagava a mesma coisa, a bolsa ali na- [Juka: Sim.] Né?

Porque eu tava, eu tava dando poucas horas, eu ganhava por hora e eu tava dando poucas horas e então tava paga… e a minha vida era bem barata naquela época, eu não tinha, super podia viver daquela bolsa. É, mas aí eu falei: "Ah, não, eu vou, eu prefiro me foder, é, e fazer um trabalho de pesquisa pior, mas é porque senão eu vou, vou perder aqui meu currículo, eu preciso fazer currículo", né? [Juka: Sim.] E daí foi isso, cara. Demorou muito tempo, mas foi, sabe? E é ficar dando murro em ponta de faca, assim, até uma hora cê entra, né? Mas, é, não tem muito o que fa… isso nas privadas, nas particulares.

Na, daí nas públicas, daí eu larguei… as públicas eu larguei mão quando eu tentei um concurso que assim, era pra eu passar. Era pra eu passar. Era na universidade que eu fiz o doutorado, era só pra doutor, era na área que eu trabalhei a minha vida inteira, eu sabia toda a bibliografia, eu sabia tudo, eu conhecia todos os professores. Eu disse assim: "Cara, vou passar". Não, não, não tem discussão. [Juka: Não tem como.] Não tem como, sabe? Era tipo eu e mais quatro, cinco pessoas. E daí as perguntas eram assim, era pra produção gráfica, eu nunca esqueço disso. A pergunta que tinha, eram… a prova era à mão, quatro horas, três perguntas.

A primeira pergunta era tipo assim: É, explique o processo de produção gráfica. Aberta, assim. Não é de acordo com o livro tal, não é de acordo com o processamento tal, não é especifique tal. Tipo assim, é, é tipo assim se falasse, imagina você tá numa prova de [pigarro] doutorado, Juka, e daí fala assim: explique o que é… você tá numa prova pra concurso, daí fala assim: "Explique o que é direito penal". [Juka: Sim.] Defina direito penal E daí cê fala assim: "Cê, é, é pra ser direto ao ponto? É pra ser ju…?" Não tem, não tem especificação. E esse… é por isso que eu sempre vou mal em prova.

É por isso que da quinta série pra frente eu quase sempre reprovei. E é por isso que quando me veio o diagnóstico de altas habilidades, eu queria matar a psiquiatra, porque eu disse: "Cê tá de saca… tu tá de sacanagem, né?" [Juka: Uhum.] Porque assim, da quinta série pra frente eu só reprovei, porque provas assim me deixam desesperados. [Juka: Sim.] Então se você pa… se você, meu amigo, minha amiga, tá me ouvindo, tá me vendo e tá se sentin… tá se identificando, é normal isso, tá? Porque, é, a, você às vezes vai pensar que as coisas, as pessoas tão fazendo pegadinha, não tão especificando direito.

Então pra mim, sempre precisa ser muito específico as perguntas. E daí eu vi aquilo e eu disse assim: "Bom, na dúvida, o que que você faria, Juka? Como é… cê responderia?" [Juka: Coloca tudo.] Tudo, exato. Daí eu fiquei quatro horas- [Juka: Coloca tudo] ...escrevendo sem parar. [Juka: Ah, entendi.] Eu não aguentava mais. Daí terminou. Só que eu não fui o único. Os outros quatro candidatos também, né? E assim, cara, era quatro, cinco doutores em uma área de design muito específica em Curitiba, todo mundo se conhecia, né? E, só que eu fiquei tipo: "Eu vou passar, porque eu- [Juka: Uhum] ...sou o melhor aqui. Eu tô com publicação, eu tô foda, cara.

Eu tô, sabe, eu tava confiante mesmo. [Juka: Sim.] Tá? Eu tava foda. Daí saiu as notas. Todo mundo tirou 4 e, 4,5, 4,5, 4,6. E daí cê, pra passar pra próxima fase tinha que tirar sete. [Juka: Entendi.] Então ninguém passou pra próxima fase e eles abriram o douto… o concurso de novo, dessa vez pra mestrados… pra mestrandos também. [Juka: Nossa!] Daí, como eu conhecia todo mundo lá de dentro, eu, teve um dia que eu não me aguentei. Eu fui lá no departamento, encontrei o professor que fez as provas e perguntei: "Que que era? Qual f… que que aconteceu?" Daí ele só deu uma risada assim e falou: "Hum, só vou dar uma dica, tá? escrevam melhor." Eu queria, eu queria ma… quando eu olhei isso, eu disse: "Eu não quero fazer parte disso.

Eu não quero fazer parte disso". É, é, é, é insano isso pra mim. Não é assim que você mede a capacidade de alguém. [Juka: Exatamente. Exatamente.] Não é.

Juka

É, fica, fica um processo extremamente subjetivo e é isso que define o, quem, quem vai entrar. Assim, é, é, sei lá, ni… a nível de concurso público, de um, de um professor doutor em universidade, é, ter essa possibilidade desse grau de subjetificação assim, é, é um absurdo. [Ivan: É.] É um absurdo. [Ivan: É um absurdo.] É um absurdo.

Ivan

Só que daí assim, o meio acadêmico é isso. E assim, quando, quando- [Juka: É] ...me, me bateu essa realidade, porque o meio acadêmico não é só isso, o meio acadêmico também é o quê? Eram as pessoas que, se vocês acham que eu sou reformista hoje, vocês não me conheceram naquela época. [Juka: [riso]] Porque naquela época eu era pior que reformista, eu era pós-moderno, tá? Isso já é uma ofensa. [Juka: [riso]] Isso é uma ofensa, tá, pra muita gente. E era ofensivo especialmente pros meus professores, que eram todos marxistas. Todos marxistas. [Juka: Uhum.] Quando não eram marxistas, n… porque na tecnologia tem o Mar- o Marx é muito forte, quando eles não eram marxistas, eles eram, dos estudos culturais, assim, que têm um pé em Marx, mas é um pouco mais leve, assim, saca?

[Juka: Sim.] Não é tão materialista, né? mas assim, quando daí eu trazia alguma coisa assim, tipo, eu n- eu nem trazia uma coisa muito radical, eu trazia, sei lá, um Baudrillard, porque era uma coisa que a gente gostava muito. É, eu era massacradaço, assim, massacradaço. E daí tipo assim: "Não, por que porra, né, por… por que cê não tá pensando? De que que cê tá falando? Quem são essas comunidades? O que que não sei o quê, tralálá." Eu lembro uma vez que eu fiz uma, era, é, é, eu fiz um seminário em estudos cu… a matéria era Estudos Culturais, eu fiz um seminário sobre o fenômeno dos Anonymous, que tava começando a crescer lá em 2012, 2013.

[Juka: Uhum.] E daí eu fiz uma provocação, super forçação de barra, mas assim, era pra ser divertido mesmo, que tipo, que o, a máscara do Anonymous era, a forma do internauta, do jovem, na época, se identificar com uma causa revolucionária, da mesma forma como antes eram as camisetas do Che Guevara. [Juka: Uhum.] Se você fala isso pruma, pro professores marxistas, eles ficam muito chateados, tá? É, e daí quando eu, quando eu falei desse jeito, né, eu levei muita pancada. Porém, é, é, eu levei muita pancada, só que era, eu gostava, porque era sempre muito respeitoso e eu sempre se… me colocava no tipo, eu sou aluno, eu tô aprendendo, né?

Eles já tão fazendo isso há muito mais tempo. [Juka: Uhum.] Acho que isso é bom de ter. E daí, só que daí que que me incomodava? Porque eu já tava fazendo AntiCast, eu já tava nas, nos corre de produzir conteúdo na internet e tentar divulgar conteúdo chato pra galera. Então se nessa época eu tava saindo da aula lá de tecnologia, e daí eu tinha uma aula muito legal sobre Heidegger e a questão da técnica, daí eu ia fazer um programa no AntiCast sobre Heidegger e a questão da técnica. [Juka: Sim.] Sabe? Que é um pro… é um, é um tema chato hoje. Naquela época era insuportável, né?

E daí, e assim, tipo, todo mundo ouvindo podcast sobre, sei lá, Avatar, e eu lá fazendo Heidegger e a questão da técnica, Marcuse, né, e o homem unidimensional, tal. [Juka: Sim.] Então, quando, daí eu vi essa questão e eu dizia: "Pô, tem coisas que os professores tão falando aqui que são muito legais, e eu tenho um podcast que atinge, vai, 3 mil pessoas. Não é grandes coisa, mas é 3 mil pessoas- [Juka: Uhum] ...que vão ouvir coisas muito diferentes do que elas tão acostumadas". E daí eu chegava pros, pra esses mesmos professores que assim, tipo, a grande maioria tinha o rei na barriga. Eu dizia assim: "Pô, bora eu te entrevistar, vamo… deixa eu gravar com você uma conversa sobre qualquer coisa superleve, assim, supercasual, só pra você explicar." "Ah, não, não quero." [Juka: Aham.] "Pô, eu só quero escrever meus artigos, sabe, tal." Eu falo: "Cara, essa pe… e-é essa a parte que daí me, me do… me doía quando junta tudo isso".

Você tem um meio acadêmico que tem todas as condições pras pessoas produzirem um puta dum conhecimento, divulgar esse conhecimento, você trabalha pra produzir conhecimento. E daí você prefere escrever um artigo que vai ser lido por cinco pessoas, que são as únicas que vão conseguir entender o que você tá escrevendo. "Só entendeu, né? Só precisa entender", né? E daí ao invés de você tentar atingir um público maior, por conta de coisas que você acredita que são importantes pro grande público entender, pra inclusive, né, fazer uma revolução social, alguma coisa assim. [Juka: Sim.] É, e não, não, o que eu quero fazer é ficar escrevendo artigo científico.

Esses professores, agora eu tô pistola pra caralho. Se esses professores tivessem fazendo podcast naquela época, 2011, 2012, você tinha muito mais Jones Manoel hoje em dia. [Juka: Sim, sim.] É, é, é isso que me deixa puto. Então, mas tudo bem, né? Querem só ficar escrevendo o artigozinho e depois só ficar reclamando dentro do OK, daí falar que a gente não escreve direito na prova, beleza, eu não tô fazendo parte desse jogo. E eu lembro de ficar puto dizendo assim: "Cara, é muito mesquinho isso, e eu quero"… e daí tinha uma coisa de ser professor em universidade pública que sempre me deixava, puto com a possibilidade que era: caralho, se eu passo nesse concurso, eu não posso, fazer o AntiCast mais, eu não posso fazer o projeto Humanos, eu não posso fazer nada.

Então, - [Juka: Falar de educação exclusiva.] É, é, é dedicação exclusiva, exato. Assim, eu até posso, mas eu não posso ter isso como um meio, enfim, né? [Juka: Aham.] E daí, então assim, olha que louco, porque eu fui esnobado naquele concurso, existe o Caso Evandro. Olha que loucura.

Juka

Não, maravilhoso. [riso] É, é, é.

Ivan

Porque eu comecei a dizer assim: "Eu vou pegar todo o meu conhecimento aqui e eu vou aplicar na internet do meu jeito. Eu não virei marxista, eu não virei revolucionário, nada disso, mas eu vou produzir alguma coisa com esse conhecimento, porque eu não vou deixar ele fechado na academia", né? então assim, Juka, eu não te ajudei em merda nenhuma do que eu te falei, tá? Mas é só pra você entender que, independente do que tu vai fazer, de quanto cê tá sofrendo, alguma coisa você vai fazer disso, que vai ser uma coisa sua.

Juka

Sim, sim. É, é que essa, né, o, as pautas do AntiCast pré-2020, é, é, eram o que hoje chamam um pouco de divulgação científica, né? Né, que é esse tipo de discussão que, em larga medida, o Jones também faz, por exemplo. É, e eu sei que todo ano, todo ano, todo ano, não, toda… a cada quatro anos, sempre chega na segunda-feira, depois do primeiro turno, depois do segundo turno, a autocrítica da esquerda. E eu não quero me colocar nesse lugar, mas [riso]

Ivan

Sempre vai ter, sempre vai ter o Mano Brown, né? O discurso Mano Brown. "Volta pra base." Cara, tipo, eu tô tentando, mano, assim, mas a base também [riso]

Juka

Mas esse, é, essa questão, né, essa gestão do conhecimento dentro dos muros da universidade, inclusive pra mim, é, é um dos, é um dos, é, dos vetores, que explica o enfraquecimento da es… da esquerda, que é a gente ficar, é, preso dentro dos muros da universidade, preso em autores do, dos anos 70 e 80, e no ponto de vista econômico, por exemplo, né? É, é, é, e não que tenha que jogar eles fora, não, não é isso. É, é, é uma, essa, é que precisa ter uma renovação, com, por conta da expansão do ensino superior, expansão do mestrado e do doutorado. É, mas porque a gente tá vivendo, sei lá, uma revolução tecnológica a cada 10, 15 anos.

[Ivan: Uhum.] É, é, é, e se a universidade que pesquisa essas coisas todos os dias, não tem capacidade de explicar pra sociedade o que tá acontecendo ou tentar formar um cidadão pra se perguntar o que tá acontecendo, tentar entender o que tá acontecendo, eu não sei até onde vai os nossos problemas, porque o, a cultura neopentecostal, a cultura de coaching, e aí com todo respeito às igrejas, gente, o meu berço, eu nasci em igreja pentecostal, é, mas essa cultura americana, inclusive, nos trouxe até aqui. [Ivan: Uhum.] Então, é, é, é. E sabe-se Deus quanto tempo se leva se a gente fosse… se, se nós começássemos a reconstruir isso hoje.

Imagina sem nem saber se a gente vai ter capacidade de começar a reconstruir. [Ivan: Sim.] O que pode levar a uma revolução, apesar de eu ser descrente, mas pode. [riso]

Ivan

É, não, essa é a aposta de, inclusive o João Carvalho, até tal, ele acha que justamente essa queda toda aí do PT e tal, vai levar a uma radicalização de setores de esquerda. Eu não duvido, tá? eu não duvido que a esquerda institucional vai se radicalizar e o discurso vai ficar mais acirrado ali dentro. Eu espero, inclusive, que seja isso. mas ao mesmo tempo, pra chegar nesse ponto, precisa de uma, é, eu acho que as universidades têm que começar a pensar de que ao invés de ficar botando professor pra ficar preenchendo relatório pentelho. [Juka: Sim.] Né? Que cara, eu amo dar aula. É, eu amo ser professor, mas eu amo ser professor.

Eu odeio tudo que envolve- [Juka: A burocracia.] Toda a burocracia. Atualiza currículo Lattes. Eu, se, eu não atualizo. Eu já disse assim: "Não, eu não vou atualizar, vai ficar daquele jeito". "Ah, mas você fez um monte de coisa." Foda-se, não vou, não vou. Eu me recuso, eu me recuso. O meu site vale mais do que um currículo [riso] sabe? Então, é claro que eu vou atualizar se precisar, né? Não, pelo amor de Deus, mas, é, se a minha chefe tiver vendo aqui, eu atualizo, tá bom? É só pedir. mas eu acho que assim, seria importante que Literalmente todos os programas tivessem, um apoio de produção de conteúdo bem feito.

Porque não é só ligar aquele professor num estúdio de merda com uma luz horrorosa aqui falando mal, tralálá. Não, tipo, porra. Não, eu odeio falar. Tranquilo, ajuda a produzir o conteúdo, faz ali, sabe, faz de alguma maneira. É, é, é mídia hoje em dia, cara, e assim, a gente precisa produzir conteúdo. Então, é, e precisa produzir conteúdo de maneira que seja… é a nova forma de extensão. O pessoal pensa que extensão na universidade: "Ah, não, tem que criar um curso que custa R$ 20, assim, de qualquer merda". Não, mano. [Juka: Ou, ou universidade aberta.] É. [Juka: Não é isso.] Não, mas cê sabe que o conceito de universidade aberta, eu le… imagine.

Não é, eu sei que universidade aberta não é isso que eu vou falar agora, tá? Mas eu lembro 2013, quando ainda existia o iTunes, né? [Juka: Uhum.] E tinha um dia, eu vi uma abinha no iTunes que era o tal do iTunes U, de iTunes University. Daí eu disse: "O que que é isso?" Daí eu fui ver, daí mano, cursos de Harvard, Stanford, da puta que pariu, assim, de todas as áreas possíveis. Eu fiz um milhão de cursos daqueles, assim, porque era literalmente, era o semestre inteiro daquele professor, que era um professor bacana, com uma câmera legal, e era tipo, a câmera seguindo o professor andando pela aula, escrevendo no quadro e falando e tralálá, e daí você podia só ouvir se quisesse, porque nem sempre ele tava escrevendo no quadro.

Daí li, eu fiz uma cacetada de curso de História da Literatura, de História da Arte, de Filosofia, de História da Filosofia. Te falo, cara, daí eu lembro uma vez eu cheguei na, em uma universidade que eu dava aula, eu não vou falar o nome aqui, mas eu lembro que eu cheguei no coordenador e falei assim: "Pô, cê viu que tem um lance lá na, no iTunes U, que eles fazem assim, assim, assado? Daí eles… a gente podia fazer umas paradas assim também, né?" Daí eles assim: "É, não sei". [Juka: [riso]] Daí daqui a pouco, daí do dia pra noite, reforma total. Quais são as reformas?

Galera, a gente vai começar agora a colocar EAD, a gente vai colocar currículo híbrido e o termo que eu adoro, metodologias ativas. [Juka: Nossa!] Eu amo esse termo, porque metodologia ativa, veja, até… não sei se você sabe, querido ouvinte e ouvinte, até dois, até o, até a década de 2010, ninguém estudava ativamente, tá? Ninguém. [Juka: Depois, é.] Só a partir da década de 2010 é que os alunos começaram a ser ativos nos seus estudos. Antes disso, todo mundo sentava, fechava o olho e o conhecimento vinha. [Juka: Entrava.] Entrava. E daí quem absorvia melhor, passava e quem não. O resto… então assim, professor, daí era muito doido assim, porque metodologia ativa o que que é?

Ah, é você fazer o aluno botar a mão na massa. Né assim? Certo. Então eu dou aula de semiótica. Certo. É uma aula teórica. Sim. Eu preciso que o aluno leia. Sim. E eu preciso que o aluno pratique também. Sim, beleza. É, eu vou mandar ele praticar fazendo uma análise. Pode ser? Pode, porque isso é ativo. Legal. Ah, não, mas daí você tem que adaptar. Não, pera aí, mas na verdade, você tem que adaptar isso pra algum produto. Que produto? Não sei, é a tua área. [Juka: Qualquer coisa.] Qualquer coisa. Então beleza. Então show. Então eu ficava imaginando o coitado dos professores, sei lá, de Ética, Filosofia, qualquer coisa assim.

Então, é, é, daí que vem as treta com os pedagogo, né? Que, porque daí eu ficava puto, porque daí tu… cê via que, na verdade, tudo isso era só pra quê? Pra que no ano seguinte, né, depois de você passar um ano de inferno refazendo todo o currículo, toda a matriz curricular, toda a bibliografia, tudo isso, mudando toda a carga horária, pra daí no ano seguinte, eles poderem lançar propagandas do tipo: "Universidade XYZ, nós somos modernos, porque nós temos atividades online e porque você aqui vai participar da produção do conhecimento junto". Daí eu falei: "Nossa, vai abrir bolsa de pesquisa agora pros alunos? Que massa, a iniciação científica vai tá cantando aqui assim, né?

Vai tá torando". Daí: "Não, não, não, é só- [Juka: Não] ...é só- [Juka: Metodologia ativa] ...metodologia ativa". Daí eu: "Ah, então tá". [Juka: E vídeo.] Então tá. [Juka: É.] Isso me deixa puto. Então nesse ponto, assim, quer, querem levar isso a sério? Então show, então vamo virar produtor de conteúdo. Esse é o jogo? Então vamo virar produtor de conteúdo. E daí quem que tem melhor condição de fazer isso? Os professores das federais. Daí o que que é um típico curso de qualquer federal? Curso, quer ver? Reunião toda semana, inúteis, tá? Que podem ser- [Juka: E um e-mail] ...que podem ser um e-mail. Nem precisa- [Juka: Duas vezes] ...nem precisava ser e-mail, na verdade, não precisa ter nada, na verdade, assim, tá?

Mas tudo bem, mas aí tem que ter reunião toda semana e eles ficam brigando por, sei lá, questões, é, absolutamente inúteis também, sobre quem que vai pegar alguma coisa burocrática extremamente chata, que ninguém se importa e que, de novo, não precisava de uma reunião pra isso. Mas- [Juka: É isso] ...é, é foda, e é foda porque assim, eu falo isso com dor no coração, porque, isso é muito fácil vim depois um cara da direita e falar assim: "Ah, por isso que tem que privatizar todo o curso". E eu digo, daí eu falo: "Meu amigo, se você visse como é que é uma universidade privada, é pior, é pior".

[Juka: Nossa!] Porque daí você tem até medo de falar. Tu tem medo, porque assim, se você falar qualquer coisa, você vai ser demitido Tá? Você não tem segurança nenhuma lá dentro. Então, é, e se não fosse universidades priv… é, particulares, é priv… é, faculdades públicas, não tinha conhecimento, científico produzido no Brasil. Essa é a parte assustadora. Então, é, mas eu… uma coisa daí que eu aprendi, Juka, é isso, que a gente pode produzir conhecimento em outros lugares também e que às vezes vão ser mais satisfatórios. Eu não ia conseguir fazer tudo o que eu faço se eu tivesse preso como professor universitário, né? [Juka: Sim.] E eu amo dar aula, amo dar aula.

Eu amo, assim, tem um monte de aluno, aluna minha aqui, assim, pelo jeito, agradeço todos, assim, são muito, muito carinho.

Juka

Eu sou seu, eu sou seu aluno, inclusive.

Ivan

Não, mas é de curso de storytelling, essas coisas, né? Tipo-

Juka

Sim, storytelling. É, é, é, perdão, perdão. Sim, sim, entendi. É

Ivan

[riso] Eu tô falando de, eu tô falando de ex… universitários, assim. [Juka: Sim.] mas assim, que, né, que você tem aquela convivência, né? De tipo, tu manda trabalho pra pessoa, você vai conversar com ela, lá, lá, lá. acompanha o seu crescimento intelectual, inclusive. É legal isso. mas eu… e eu sinto muita saudade, assim, de ter mais contato. Hoje eu dou muito pouca aula, até porque eu não tenho muito, muito tempo, né? Mas, é, mas, é, é, no fim das contas vale a pena, porque depois de 400 anos chega um e fala assim: "Ah, cê foi meu professor e você foi um professor muito legal e eu nunca esqueço de você".

Ah, que fofo! [riso] Então fico muito-

Juka

Não, é, é, é. A minha vontade de dar aula é porque eu me sinto realizado dando aula. [Ivan: Uhum.] É, é isso normalmente, não é pra ficar rico, né, pra ganhar dinheiro, até porque se fosse pra isso eu virava coach. É, mas, é, é porque é isso, assim. A pri… a primeira vez que eu me vi dando uma aula, é, eu falei: "É isso, é isso". É, o que é problemático, né? Porque a gente não devia querer dar aula por tesão, por si, assim, né? Tem, tem coisa mais importante do que só isso.

Ivan

Ah, eu acho que eu, daí nesse ponto eu acho que o tesão é fundamental, porque um professor que não tem o tesão de dar aula é aquele professor que vai tornar, vai criar uma experiência traumática no aluno, sabe? Que é o típico professor-

Juka

Não, mas é que não pode ser o último elemento. Não, não, não pode ser o único elemento. Não posso falar: "Não, eu quero dar aula só porque eu gosto". É, assim, é claro que pensando do ponto de vista do indivíduo, isso é essencial. Agora, se a gente for pensar do ponto de vista de sociedade, de conhecimento, etc, é pouco. Sabe? É, é, é querer dar aula, é, é nós nos conformarmos que o professor ele vai dar aula só porque ele quer. [Ivan: Uhum.] É, é, é, é não porque eu não tenho uma, entre aspas aqui, porque eu não tô conseguindo pensar em uma palavra melhor, mas um retorno à sociedade, é, de uma pesquisa que, sei lá, revolucionou uma cidade.

[Ivan: Certo.] Sabe? O modo daquela cidade, é, fazer o processo tal. É, é, é. E a tentativa das universidades com divulgação científica é um pouco nisso, né? É, é claro que é tentativa e erro, tá no começo. Acho que não começaram pelo lugar certo, mas quem sou eu? É, porque começou pelas agências de fomento, né, então considerando que comunicação científica é extensão também, é, é, mas sei lá, pra mim falta, falta mais, assim. Falta sair justamente desse pedestal de que não, eu quero publicar porque cinco ou seis vai ler em uma palestra e vai falar que eu sou bom e que o texto é legal.

[Ivan: Uhum!] É, é, é, sabe? Isto num… eu acho que é pouco, as… do ponto de vista da capacidade que a universidade tem de, é, de alterar a realidade mesmo, assim, que seja ela política, seja ela econômica, como já fez outras vezes, inclusive. [Ivan: Sim.] O, a criação do modelo desenvolvimentista é brasileira, não é, não é, é de fora, né? Então, sei lá, acho que perdeu um pouco essa potência que a universidade tem.

Ivan

É, perdeu, mas, é, também eu acho que quando teve foram questões muito pontuais, né? E não dá nem pra dizer assim que era uma tradição contínua, né? [Juka: Sim, sim.] eu acho que a gente teve experiências boas que deviam ser replicadas- [Juka: Sim] ...e que não foram, né? E daí nesse sentido é o que eu, tendo a achar que o problema todo, é uma reclamação antiga que eu tenho assim, que eu acho que a gente não tinha que ter tanta universidade no Brasil, a gente tinha que ter ensino técnico. A maioria das pessoas hoje em dia entra na faculdade, pra aprender uma profissão. Faculdade não tinha que ser isso.

[Juka: É.] Não precisava disso. Então podia ser simplesmente: "Cara, o que que cê quer fazer?" "Pô, eu quero administrar empresa." "Beleza, mas tu quer só trabalhar ou cê quer pensar modelos?" "Não, eu só quero trabalhar." "Então beleza, faz o técnico, faz o tecnológico, né?" Assim. [Juka: Sim, sim.] É, e era um modelo que existia antigamente, daí veio Fernando Henrique, cortou coisa pra caralho, né? [Juka: Sim.] Daí o, daí nisso o, já m… o Lula quando assume, ele até tenta, ele volta com algumas experiências de ensino técnico, profissionalizante e tecnológico, mas ele vai investir também mais na universidade, porque vira um sonho da classe ascendente, né?

[Juka: Sim.] Que assim, quer botar o filho na universidade. Eu acho que é super ok, mas não, né, se cê for pensar hoje em dia, tipo, não tem. Se você pegar qualquer curso, entre aspas, raras exceções. mas assim, se você pegar qualquer curso universitário e daí você vai ver todos os formandos de 10 anos atrás, o que eles tão fazendo hoje em dia, não tão trabalhando na área. [Juka: Fora da área.] Tão trabalhando em outras áreas, né? É, e isso em todos os cursos, em todos os cur… na grande maioria dos cursos, pelo menos, assim, tá?

Juka

Mas É porque tem, tem, tem um elemento pra mim aí, é, é, e eu bato nessa tecla muitas vezes, porque foi, foi a história que me foi vendida, né, de que o curso-

Ivan

Desculpa, só um pouquinho, ô Juka. É que assim, o pessoal tá falando que: "ah, mas é que não tem vaga pra técnico, eu fiz técnico em química, sala de técnico tá aqui parado". Gente, eu vou repetir: o Brasil tinha uma tradição de técnico antigamente, tinha poucas universidades. Fernando Henrique veio e cortou tudo, mudou esse modelo. Daí veio a questão da universidade, agora é a par… sabe? Você quer ter uma vida boa, vá fazer graduação porque ela é mais valorizada. Se você for ver como é em outros países desenvolvidos, blá blá blá blá blá, você vai ver que faculdade é uma escolha pra quem quer estudar, pra quem quer fazer bacharelado, porque daí isso vira uma frustração muito grande pra professores que acham que a universidade tem que produzir conhecimento e não conseguem, entende?

Então é só, eu só tô falando assim que é uma questão de cul… é uma questão cultural nossa, histórica. Eu não tô querendo resolver nada, eu não tô dizendo que tá errado fazer universidade, pelo amor de Deus, não é isso que eu tô falando. Eu tô dizendo só assim que o modelo de universidade é, é como se você tivesse, usando um tanque de guerra pra você [riso] ir pra padaria, saca? A universidade ela é, é uma instituição, ela é muito grande e pesada e com uma função muito maior do que só te preparar pro mercado de trabalho. E hoje em dia, todas as universidades privadas te vendem o quê?

A melhor preparação pro mercado. E ela não deveria ser assim. Ela deve… a universidade deveria ser espaço de produção de conhecimento. Quantas universidades privadas que cê conhece que têm programas de pós-graduação em todos os seus cursos? Não tem, tá? Então, enfim, desculpa, Juka, te cortei. Perdão.

Juka

Não, imagino. Não, que é, é… porque a promessa que me foi vendida, porque Direito é minha segunda graduação. A primeira graduação que eu fiz foi Automação Industrial, tecnólogo. [Ivan: Uhum.] Passei em 2013 no IF, que é aqui do ladinho, Em Piracicaba. É, porque a promessa que foi vendida é que, é, esse tecnólogo ou essa graduação é o que vai fazer você ascender socialmente, não é ascender de carreira, é, é, é ascender socialmente. É, e essa promessa foi quebrada. [Ivan: Uhum. Sim.] E aí essa promessa foi quebrada ao mesmo tempo em que, é, eu tive uma expansão gigantesca do ensino superior, especialmente o ensino superior privado.

E aí, é, é, precisa ser graduado em Administração pra ser o assistente administrativo, por exemplo. [Ivan: Uhum.] É, é, é, é. Que eu não vejo, eu fui assistente administrativo. É, eu tô dizendo que eu não vejo que eu precise de um bacharelado de quatro anos, é, pra assistente administrativo. É um pro… é um problema de mercado, um problema de cultura, é, é, é, do Brasil, gente. A gente nunca, é, pelo menos, é, eu entendo que a gente nunca pensou, é, o ensino brasileiro, é, de forma geral e global, de acordo com as necessidades, é, do ensino e da sociedade. [Ivan: Sim. E sabe-] Um pouco isso.

Ivan

E agora, e agora cê quer ouvir uma coisa bem escrota? [Juka: Depende. Bom, sim, né? [riso]] Aparentemente, as pessoas não estavam te ouvindo, Juka, até agora no YouTube, só aqui no TikTok. [Juka: Vixe!] Tá? Então- [Juka: Agora deu certo.] Agora, agora acho que foi. Deixa eu ver. Ó, mas pera aí, há quanto tempo que eles tão falando? Alguém… ó, "sem áudio", "sem som". Quanto tempo? Áudio, Ivanzito. Ah, pois é. "Juka tá sem som". Então tá sem som há muito tempo. Caraca. [Juka: Desde o começo. [riso]] Não, antes tava. Antes tava. Mas pera aí, pera, deixa eu ver aqui algum momento. Ah, sei lá em que momento.

Quanto tempo que tava sem som, gente? [Juka: Em algum momento apagou.] Ah, tá. Bom, então foi só o quê? 40 minutos de papo com o Juka? E daí vocês ouviram no começo e perderam 30 minutos. E tudo bem, né? É a vida. [Juka: Faz parte. É, acontece.] A vida é assim. Tá tudo bem, né? É. [Juka: Acontece.] Apare… isso aqui me fodeu também, né? Porque pelo jeito eu vou ter que puxar o áudio do TikTok pra fa… pra fazer o podcast. [riso] Ai, ai, ai. [Juka: Não tem como.] Não tem.

Juka

Faz parte, é os problemas da tecnologia.

Ivan

Não, ó, ó, pra quem tá falando que eu tô vendo o chat, deixa eu explicar uma coisa: eu não vejo o chat, tá? Só que como eu tô aqui controlando pelo estúdio do TikTok, daí o chat fica bem certinho aqui do ladinho, ao X do TikTok, ó, tá de parabéns. Dez a zero no do YouTube, tá? Daí no do YouTube, eu deixo numa janela lá atrás e eu vejo de vez em quando, tá? Só que daí pra sorte da galera do YouTube, é, teve um, teve uma turma aqui que… teve alguém que falou, quem que falou? a Real Suzy. A Real Suzy que falou? Foi isso?

É, a Real Suzy que falou: "Ivan, ninguém ouve o Juka no YouTube, tá sem áudio dele". Daí, pô, irado. Alguém veio… alguém foi inteligente, foi zagás, né? [Juka: Verdade.] Daí veio pra cá, né? Então, daí eu vim pra cá. Então, daí, daí eu fui lá e arrumei o OBS, mas culpem o OBS, né? Isso aí. A gente paga o OBS, né? [Juka: Pra ele fazer isso.] É, uma piada, porque o OBS é de graça, tá? Então, é, né? [riso] Tá. Juka, tamo 40 minutos falando, véio. [Juka: Ah, bastante, nem percebi.] Pois é, eu queria falar só 20 minutos, mas o papo tava bom, eu me empolguei.

Juka

[riso]Falando mal de universidade, a universidade se empolga

Ivan

Não, mas é, mas o pior é que a gente fala mal porque ama, né? Essa é a- [Juka: exatamente] Né? Porque a gente quer o melhor [Juka: Exatamente] Né, então

Juka

Exatamente. Eu queria que todo mundo tivesse a oportunidade de assistir algumas aulas [Ivan: Exatamente] Outras não, outras não, que não faria diferença. Mas assim, é, tem umas que cê pega o professor inspirado naquilo que ele sabe e puts! [Ivan: Uhum] Em quatro horas não é o suficiente [Ivan: Exato, né?] É

Ivan

Ai, Juka! Posso… só, cê tem direito a uma última pergunta ou comentário ou qualquer coisa assim

Juka

Eu só vou te pedir um episódio de guerra cultural. Só isso [Ivan: Tá] É

Ivan

defina guerra cultural só pro… o que que cê tá entendendo por guerra cultural? Cê tá entendendo dos lelé da Cuca da extrema direita ou...?

Juka

Não, não, não. É que faz parte, né? Faz parte. Falando da ideia marxista de guerra cultural, né? Um dos pontos, é, de virada da sociedade, um dos pontos pra se entender o materialismo. Nesse sentido, eu acho que, é, combina com o momento político. Eu sinto saudades, assim. Nossa, eu ouvi tanto AntiCast indo trabalhar. eu aprendi processo penal primeiro com o Caso Evandro, depois com a faculdade [riso]

Ivan

Tu não é o primeiro que me fala isso, viu?

Juka

Eu juro, eu juro, eu juro. Sim

Ivan

Ai, obrigado, querido. Fico muito honrado, viu? Valeu mesmo [Juka: Então, é] Então, tá

Juka

É necessário. E obrigado pelo retorno, inclusive [Ivan: Imagina] Acho que é necessário

Ivan

Super… já anotei aqui, certo? E parabéns aí, cara, pela guerra. Boa sorte aí. Dois doutorados- [Juka: Obrigado] Não é fácil não, mas, é, tu é guerreiro e vai, vai dar tudo certo. Vai mandar bem pra caralho [Juka: Obrigado, obrigado pelo papo] Imagina, eu que agradeço, cara. Até mais [Juka: Tchau, tchau, um abraço] Tchau, tchau. Então, galerinha, eu tô cansado, mas tem alguém que me deu dinheiro. Vou falar o que ele falou, tá? na verdade, duas pessoas deram dinheiro. Então, deram dinheiro lá no YouTube. Não sei se no AntiCast, no TikTok dá pra dar dinheiro. Deve dar, mas eu não sei. Então, aqui no YouTube, o Yuri Mieiras falou: "Arruma o som do Juka, Ivan".

Arrumei, né? É, e antes, Cante de Cerial 7152 mandou 20 reais, porra. Caralho, hein? Vinte reais é bom. Gostei. Podia assinar também lá o apoio, né, com esse valor, se quiser. Inclusive, cês… eu tô contando que todo mundo aqui já é assinante lá do apoio, né? apoio.mizanzuk.com. Dessa vez eu deixei a live inteira no YouTube com o, com o cardzinho de apoio. Vocês vão lá apoio ponto com… merda, apoio.mizanzuk.com, certo? E daí eu vou criar o demônio do fórum. Eu preciso de mil assinantes pra fazer o PC Farias tranquilo, tá? No momento, acho que eu tô com 170, alguma coisa assim. E devo ter perdido mais uns aí porque tinha muita gente que me seguia e não gostou de saber que eu ia… que eu voto no Lula, tá?

Então só tô avisando, tá? Me ajuda. E gente, eu não sou global, não sou global mais, eu fiz até vídeo avisando que saí da Globo, cês tão maluco. Vão tomar no cu. Mas enfim, o Candi… Cante de Cerial, eu acho que é assim, 7152, mandou 20 reais. Porra, bom pra caralho. Falou assim ó: "Ivan, bem que podia rolar um episódio sobre Promethea do Alan Moore. Ninguém cobriu a obra toda. Você fez dois episódios do Bipolar Reaça do Frank Miller e nenhum pro Alan Moore, que está ca… tão caduco quanto". Bom, então vamos lá. Primeiro de tudo: você lembra quando que a gente fez aquele episódio do Frank Miller?

[riso] Faz muito tempo. Foi em 2011. Faz literalmente 15 anos, meu amigo. Nesses 15 anos, no início do AntiCast, a gente tinha essa ideia de querer fazer programa sobre quadrinhos. E daí, obviamente, eu queria ter feito um… eu faria um do Alan Moore. Na época, o Neil Gaiman não tava cancelado, então eu queria fazer do Neil Gaiman e etc. Qual que daí foi a questão? vamos dizer que a gente tinha mil downloads por aí num episódio. Quando a gente lançava um de quadrinhos, tinha 200. E daí eu percebi: "É, eu acho que eu não vou mais ficar fazendo tanto de quadrinho assim", tá? E daí paramos, foi parando.

Daí rolou que nunca mais teve Alan Moore. E Promethea, né, que eu saiba, deve ter um Mundo Freak sobre eles com uma pessoa que fez mestrado sobre Promethea, ninguém mais, ninguém menos que Marcus Keller, tá? Então,

Ivan

sei lá, né? Questões. Vou ver. Talvez um dia eu faça alguma coisa, talvez eu não. Eu acho que o AntiCast eu não vou fazer sobre Promethea, vai ficar muito loucura. O que eu provavelmente posso fazer, talvez, é algum vídeo, alguma análise, alguma coisa assim, mas aí eu diria só pra, né, vai lá pra, pro... meu cérebro não tá mais funcionando. Daí, é, vai pro blá, né, do Mundo Freak. Exato. Tá.

Ivan

Eu vou responder mais uma pergunta aqui só. tem blá, blá. A Valentina perguntou: "Ivan, Ivanzinho", né? Valentina me chama de Valentina, né? Valentia, Tininha. A Valentina me chama de Ivanzinho, por favor. "Ivan, pretende voltar pra Caxias ou vir pra outras cidades da Serra Gaúcha?" Meu amor, se me chamar e pagar minha passagem, eu vou. Eu adoro, adoro Serra Gaúcha, né? Adoro [imitação de som de motor] não, mas é, eu sei que é sotaque de Porto Alegre, eu sei, mas eu gosto demais de fazer, né, né? [imitação de som de motor] tava em Porto, tava em Porto Alegre, né? Daí eu fui lá pra Caxias, né?

Daí [imitação de som de motor] torce pro Grêmio, né? [riso] Eu vi um comentário ótimo que era assim: "Sabe o que me incomoda de gaúcho? Que tu pergunta qual que é o no… pra que time que ele torce, ele responde, assim, coisa óbvia, tipo assim: 'Bah, Grêmio, né? Bah, bah, pro Inter, né?'" [riso] Ai, chega, cansei, gente. Gente, cês fazem muita pergunta, deixa eu falar uma próxima, tá? Pelo jeito cês go… eu não sabia, na minha época de q… [balbucio] podcast você sentava, gravava, acabava, show. E agora, pelo jeito, esse lance de live, assim, tal, vamo fazer. Vamo fazer… farei mais vezes, tá bom? De repente, isso aqui vai virar um quadro do… qual que é o nome do programa mesmo? "Fala que eu te julgo".

Fala que eu te julgo, né, ao vivo. Show. Tá bom. [palma] Beijo. Peraí, alguém mandou mais dinheiro. O Cante de Cereal mandou R$ 5 aqui também. "O Magicanto só fez a primeira parte com o Keller e abandonou, a mesma coisa com o Quadrinhos na Sarjeta". Pois é, gente, daí sinto muito. Façam, né, fa… se, se a montanha não vai até Maomé, blá. Cansei de falar. Amo vocês. Ah, peraí, falta um minuto e meio pra completar três horas e o Ti-o TikTok falou que se fizesse três horas ia fazer alguma coisa. Olha que merda que é a gamificação, né, cara? Vamo ver se, [palma] se eu gostei dessa coisa de jogo.

Gostei, gostei, gostei, gostei. Não, não, não foi tão ruim. É, deixa eu ver aqui. Alguma coisa aconteceu enquanto eu tive… eu fiquei três horas sem pensar em Brasil, mesmo falando de Brasil. Incrível. Tô muito feliz com isso. Muito feliz. Peraí, vamo lá. Deixa eu ver se… ó, falta 50, 50 segundos pra dar três horas de TikTok. Porra, primeira live que eu faço de TikTok é três horas. Trabalhador demais, mano. Trabalhador demais. Tá bom. a Ana, se eu precisar, certamente chamarei você. Ó, tem que ficar olhando dois chats agora. Dois chats. Agora tem que tá [balbucio] próxima, próxima, Sara, próxima vai ter, próxima vai ter. Daí eu chamo você, chamo o Augusto, chamo quem mais que tá na fila aqui também, o Hudson, chamo quem quiser, quem quiser.

Chamo todo mundo. Live NPC. Era essas coisas que o Felca fazia antes, né? Há quando que eu vou fazer? Sei lá. Acho que semana que vem. Sei lá, sei lá, em algum momento. Ó, deu três horas. [palmas] Parabéns, parabéns pra nós. Aguentamos três horas de TikTok. Três horas. Chupa essa juventude, certo? Cês tavam achando o quê? Estava achando que cês tavam dominando a internet porque cês são jovem? Eu sou véio, mas eu faço isso aqui há muito tempo. Eu nunca fui muito famoso, eu nunca tive muito trabalho que estourava, mas eu vou fazer, vou fazer. E talvez faça alguma coisa que preste. Por que não?

Vai que eu viralizo, não é mesmo? Beijo. Tchau

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